Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5bf0
A viagem
Que coisas devo levar
nesta viagem em que partes?
As cartas de navegação só servem
a quem fica.
Com que mapas desvendar
um continente
que falta?
Estrangeira do teu corpo
tão comum
quantas línguas aprender
para calar-me?
Também quem fica
procura
um oriente.
Também
a quem fica
cabe uma paisagem nova
e a travessia insone do desconhecido
e a alegria difícil da descoberta.
O que levas do que fica,
o que, do que levas, retiro?
A viagem e a ausência remetem a um repertório poético tradicional. No poema, a voz lírica dialoga com essa tradição, repercutindo a
saudade como experiência de apatia.
presença da fragmentação da identidade.
negação do desejo como expressão de culpa.
persistência da memória na valorização do passado.
revelação de rumos projetada pela vivência da solidão.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que aponta a revelação de rumos projetada pela vivência da solidão. O poema aborda a experiência da separação e da ausência, mas não se limita a um lamento passivo. A voz lírica questiona o que levar em uma viagem, mas também reconhece que quem fica também enfrenta uma travessia, uma busca por um oriente e uma paisagem nova. A solidão, tanto de quem parte quanto de quem fica, é apresentada como um momento de descoberta e de alegria difícil, ou seja, uma oportunidade de revelar novos rumos.
A alternativa que menciona a saudade como experiência de apatia está incorreta porque o poema não descreve a saudade como algo que leva à inércia; ao contrário, há movimento e busca. A opção sobre fragmentação da identidade não se sustenta, pois o eu lírico não expressa uma identidade quebrada, mas sim uma reflexão sobre a relação entre os que partem e os que ficam. A negação do desejo como expressão de culpa não aparece no texto; o desejo não é negado, mas sim questionado e transformado em busca. A persistência da memória na valorização do passado também não é o foco, já que o poema olha para o futuro e para o desconhecido, e não para uma nostalgia do passado.