Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c01
Vó Clarissa deixou cair os talheres no prato, fazendo a porcelana estalar. Joaquim, meu primo, continuava com o queixo suspenso, batendo com o garfo nos lábios, esperando a resposta. Beatriz ecoou a palavra como pergunta, “o que é lésbica?”. Eu fiquei muda. Joaquim sabia sobre mim e me entregaria para a vó e, mais tarde, para toda a família. Senti um calor letal subir pelo meu pescoço e me doer atrás das orelhas. Previ a cena: vó, a senhora é lésbica? Porque a Joana é. A vergonha estava na minha cara e me denunciava antes mesmo da delação. Apertei os olhos e contraí o peito, esperando o tiro. [...] [...] Pensei na naturalidade com que Taís e eu levávamos a nossa história. Pensei na minha insegurança de contar isso à minha família, pensei em todos os colegas e professores que já sabiam, fechei os olhos e vi a boca da minha vó e da boca da tia Carolina se tocando, apesar de todos os impedimentos. Eu quis saber mais, eu quis saber tudo, mas não consegui perguntar.
A situação narrada revela uma tensão fundamentada na perspectiva do
conflito com os interesses de poder.
silêncio em nome do equilíbrio familiar.
medo instaurado pelas ameaças de punição.
choque imposto pela distância entre as gerações.
apego aos protocolos de conduta segundo os gêneros.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que aponta o silêncio em nome do equilíbrio familiar. No fragmento, a narradora vivencia um momento de tensão quando sua prima pergunta à avó o que é lésbica, e ela teme ser revelada como lésbica para a família. Apesar do medo e da vergonha, ela opta por não falar, mantendo-se em silêncio para preservar a harmonia familiar. Esse silêncio é uma estratégia para evitar conflitos e manter o equilíbrio, mesmo que isso signifique esconder sua identidade. As demais alternativas não captam esse aspecto central: a alternativa que menciona conflito com interesses de poder não se sustenta, pois não há disputa de poder explícita; a que fala de medo de punição é parcial, mas o medo não é de punição física, e sim de desaprovação; a que aponta choque geracional é tangencial, pois o conflito não é apenas etário, mas sim de aceitação; e a que menciona protocolos de gênero é muito ampla, não focando no silêncio como mecanismo de preservação familiar.