Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c01
Encontrando base em argumentos supostamente científicos, o mito do sexo frágil contribuiu historicamente para controlar as práticas corporais desempenhadas pelas mulheres. Na história do Brasil, exatamente na transição entre os séculos XIX e XX, destacam-se os esforços para impedir a participação da mulher no campo das práticas esportivas. As desconfianças em relação à presença da mulher no esporte estiveram culturalmente associadas ao medo de masculinizar o corpo feminino pelo esforço físico intenso. Em relação ao futebol feminino, o mito do sexo frágil atuou como obstáculo ao consolidar a crença de que o esforço físico seria inapropriado para proteger a feminilidade da mulher “normal”. Tal mito sustentou um forte movimento contrário à aceitação do futebol como prática esportiva feminina. Leis e propagandas buscaram desacreditar o futebol, considerando-o inadequado à delicadeza. Na verdade, as mulheres eram consideradas incapazes de se adequar às múltiplas dificuldades do “esporte-rei”.
No contexto apresentado, a relação entre a prática do futebol e as mulheres é caracterizada por um
argumento biológico para justificar desigualdades históricas e sociais.
discurso midiático que atua historicamente na desconstrução do mito do sexo frágil.
apelo para a preservação do futebol como uma modalidade praticada apenas pelos homens.
olhar feminista que qualifica o futebol como uma atividade masculinizante para as mulheres.
receio de que sua inserção subverta o “esporte-rei” ao demonstrarem suas capacidades de jogo.
Official Explanation / Community Explanations
A questão aborda o mito do sexo frágil, que se baseia em argumentos supostamente científicos para justificar a exclusão das mulheres do futebol. O texto mostra que esse mito foi usado historicamente para controlar as práticas corporais femininas, associando o esforço físico intenso à masculinização do corpo e à perda da feminilidade. Portanto, a relação entre futebol e mulheres é caracterizada por um argumento biológico que serve para legitimar desigualdades históricas e sociais, como a proibição da participação feminina no esporte.
A alternativa que menciona o discurso midiático na desconstrução do mito está incorreta, pois o texto afirma que leis e propagandas buscavam desacreditar o futebol feminino, reforçando o mito, e não desconstruí-lo.
A alternativa que fala em apelo para preservar o futebol como modalidade masculina também está errada, pois o texto não defende essa posição, mas sim critica o preconceito.
A alternativa que atribui um olhar feminista qualificando o futebol como masculinizante é incorreta, pois o texto mostra que essa visão era do senso comum preconceituoso, não de uma perspectiva feminista.
Por fim, a alternativa que menciona o receio de que a inserção feminina subverta o esporte-rei ao demonstrarem capacidades é parcialmente verdadeira, mas não é a caracterização principal da relação; o foco do texto é o uso de argumentos biológicos para justificar a exclusão.