Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c04

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Comunicação e Tecnologia
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Na exposição “A Artista Está Presente”, no MoMA, em Nova Iorque, a performer Marina Abramovic fez uma retrospectiva de sua carreira. No meio desta, protagonizou uma performance marcante. Em 2010, de 14 de março a 31 de maio, seis dias por semana, num total de 736 horas, ela repetia a mesma postura. Sentada numa sala, recebia os visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um longo olhar sem palavras. Ao redor, o público assistia a essas cenas recorrentes.
ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br. Acesso em: 4 nov. 2013.

As narrativas indígenas se sustentam e se perpetuam por uma tradição de transmissão oral (sejam as histórias verdadeiras dos seus antepassados, dos fatos e guerras recentes ou antigos; sejam as histórias de ficção, como aquelas da onça e do macaco). De fato, as comunidades indígenas nas chamadas “terras baixas da América do Sul” (o que exclui as montanhas dos Andes, por exemplo) não desenvolveram sistemas de escrita como os que conhecemos, sejam alfabéticos (como a escrita do português), sejam ideogramáticos (como a escrita dos chineses) ou outros. Somente nas sociedades indígenas com estratificação social (ou seja, já divididas em classes), como foram os astecas e os maias, é que surgiu algum tipo de escrita. A história da escrita parece mesmo mostrar claramente isso: que ela surge e se desenvolve – em qualquer das formas – apenas em sociedades estratificadas (sumérios, egípcios, chineses, gregos etc.). O fato é que os povos indígenas no Brasil, por exemplo, não empregavam um sistema de escrita, mas garantiram a conservação e continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas e, também, das narrativas que sua tradição criou, através da transmissão oral. Todas as tecnologias indígenas se transmitiram e se desenvolveram assim. E não foram poucas: por exemplo, foram os índios que domesticaram plantas silvestres e, muitas vezes, venenosas, criando o milho, a mandioca (ou macaxeira), o amendoim, as morangas e muitas outras mais (e também as desenvolveram muito; por exemplo, somente do milho criaram cerca de 250 variedades diferentes em toda a América).
D’ANGELIS, W. R. Histórias dos índios lá em casa: narrativas indígenas e tradição oral popular no Brasil. Disponível em: www.portalkaingang.org. Acesso em: 5 dez. 2012.

ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br. Acesso em: 4 nov. 2013. D’ANGELIS, W. R. Histórias dos índios lá em casa: narrativas indígenas e tradição oral popular no Brasil. Disponível em: www.portalkaingang.org. Acesso em: 5 dez. 2012.

A escrita e a oralidade, nas diversas culturas, cumprem diferentes objetivos. O fragmento aponta que, nas sociedades indígenas brasileiras, a oralidade possibilitou

A

a conservação e a valorização dos grupos detentores de certos saberes.

B

a preservação e a transmissão dos saberes e da memória cultural dos povos.

Correct
C

a manutenção e a reprodução dos modelos estratificados de organização social.

D

a restrição e a limitação do conhecimento acumulado a determinadas comunidades.

E

o reconhecimento e a legitimação da importância da fala como meio de comunicação.

Official Explanation / Community Explanations

A resposta correta é a que afirma que a oralidade possibilitou a preservação e a transmissão dos saberes e da memória cultural dos povos. O texto de apoio destaca que, nas sociedades indígenas brasileiras, a ausência de sistemas de escrita não impediu a conservação e continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas e das narrativas tradicionais, que foram transmitidos oralmente de geração em geração. A alternativa que menciona a conservação e valorização dos grupos detentores de certos saberes está incorreta porque o texto não enfatiza a valorização de grupos específicos, mas sim a transmissão do conhecimento como um todo. A alternativa sobre manutenção e reprodução dos modelos estratificados de organização social é incorreta, pois o texto afirma que a escrita surge em sociedades estratificadas, mas a oralidade não está associada à manutenção dessa estratificação. A alternativa que fala em restrição e limitação do conhecimento a determinadas comunidades é oposta ao que o texto defende, já que a oralidade permitiu a difusão do conhecimento. Por fim, a alternativa sobre reconhecimento e legitimação da fala como meio de comunicação é muito genérica e não capta o papel específico da oralidade na preservação cultural, conforme descrito no texto.