Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019e5c06
Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que afirma a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana. No trecho, Maquiavel reconhece que a sorte (ou acaso) decide metade de nossos atos, mas afirma que o livre-arbítrio nos permite controlar a outra metade. Essa valorização da capacidade humana de agir racionalmente e de fazer escolhas independentes é uma característica central do humanismo renascentista, que colocava o ser humano e sua razão no centro das reflexões.
A alternativa que valoriza a interferência divina está incorreta, pois Maquiavel, embora mencione a opinião de que Deus decide o que acontece, não a endossa; ele defende o livre-arbítrio. A que rejeita a intervenção do acaso também está errada, pois ele aceita que o acaso influencia metade dos atos. A que rompe com a tradição não se sustenta, pois o texto não aborda a questão do passado como fonte de aprendizagem. Por fim, a que redefine a ação política com base na unidade entre fé e razão não é correta, pois Maquiavel não propõe uma união entre fé e razão; ele separa a esfera da ação humana (livre-arbítrio) da influência divina ou do acaso.