Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c07

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
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Das irmãs
os meus irmãos sujando-se
na lama
e eis-me aqui cercada
de alvura e enxovais
eles se provocando e provando
do fogo
e eu aqui fechada
provendo a comida
eles se lambuzando e arrotando
na mesa
e eu a temperada
servindo, contida
os meus irmãos jogando-se
na cama
e eis-me afiançada
por dote e marido

QUEIROZ, S. O sacro ofício. Belo Horizonte: Comunicação, 1980.

O poema de Sonia Queiroz apresenta uma voz lírica feminina que contrapõe o estilo de vida do homem ao modelo reservado à mulher. Nessa contraposição, ela conclui que

A

a mulher deve conservar uma assepsia que a distingue de homens, que podem se jogar na lama.

B

a palavra “fogo” é uma metáfora que remete ao ato de cozinhar, tarefa destinada às mulheres.

C

a luta pela igualdade entre os gêneros depende da ascensão financeira e social das mulheres.

D

a cama, como sua “alvura e enxovais”, é um símbolo da fragilidade feminina no espaço doméstico.

E

os papéis sociais destinados aos gêneros produzem efeitos e graus de autorrealização desiguais.

Correct

Official Explanation / Community Explanations

O poema de Sonia Queiroz estabelece uma contraposição entre as ações dos irmãos (homens) e da voz lírica (mulher). Enquanto os homens se sujam na lama, se provocam, se lambuzam, arrotam e se jogam na cama, a mulher está cercada de alvura e enxovais, fechada, provendo comida, servindo contida e afiançada por dote e marido. Essa oposição evidencia que os papéis sociais de gênero são distintos e desiguais: os homens têm liberdade para agir e se autorrealizar, enquanto a mulher é confinada ao espaço doméstico e à submissão. A conclusão correta é que esses papéis produzem efeitos e graus de autorrealização desiguais. As demais alternativas são incorretas: a assepsia não é uma conclusão, mas uma descrição; o fogo não é metáfora de cozinhar, mas de desejo ou perigo; a igualdade de gênero não é tratada em termos financeiros; a cama não simboliza fragilidade, mas um espaço de liberdade para os homens e de aprisionamento para a mulher.