Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c07

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Variação Linguística
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Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra num desses meus badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, trata-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário, aquela que tem, no topo, a fotografia de uma “varroa”(sic!) (você não sabe o que é uma “varroa”?) para corrigir-me do meu erro. E confesso: ele está certo. O certo é “varrição” e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim porque nunca os vi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário com a “varroa” no topo. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção” quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.

ALVES, R. Mais badulaques. São Paulo: Parábola, 2004 (fragmento).

De acordo com o texto, após receber a carta de um amigo “que se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário” sinalizando um erro de grafia, o autor reconhece

A

a supremacia das formas da língua em relação ao seu conteúdo.

B

a necessidade da norma padrão em situações formais de comunicação escrita.

Correct
C

a obrigatoriedade da norma culta da língua, para a garantia de uma comunicação efetiva.

D

a importância da variedade culta da língua, para a preservação da identidade cultural de um povo.

E

a necessidade do dicionário como guia de adequação linguística em contextos informais privados.

Official Explanation / Community Explanations

O texto narra a correção de um erro de grafia ("varreção" por "varrição") feita por um amigo que enviou uma cópia do dicionário. O autor reconhece que, em situações formais como um vestibular, o uso da norma padrão é necessário, pois afirma que o equívoco "poderia me valer uma reprovação". Isso demonstra que ele admite a necessidade da norma padrão em contextos formais de comunicação escrita, como exames e documentos oficiais.

A alternativa que afirma a supremacia das formas da língua em relação ao conteúdo está incorreta, pois o texto não discute essa hierarquia, mas sim a adequação ao contexto. A que defende a obrigatoriedade da norma culta para garantir comunicação efetiva é exagerada, já que o autor reconhece a validade das variações regionais ("o povo fala 'varreção'"). A que fala em preservação da identidade cultural está equivocada, pois o autor valoriza a fala popular como expressão cultural, não a norma culta. Por fim, a que sugere o dicionário como guia em contextos informais é contrária ao texto, que mostra que em situações informais a língua é moldada pelo povo, não pelo dicionário.