Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019e5c07
No clima das ideias que se seguiram à revolta de São Domingos, o descobrimento de planos para um levante armado dos artífices mulatos na Bahia, no ano de 1798, teve impacto muito especial; esses planos demonstravam aquilo que os brancos conscientes tinham já começado a compreender: as ideias de igualdade social estavam a propagar-se numa sociedade em que só um terço da população era de brancos e iriam inevitavelmente ser interpretados em termos raciais.
O temor do radicalismo da luta negra no Haiti e das propostas das lideranças populares da Conjuração Baiana (1798) levaram setores da elite colonial brasileira a novas posturas diante das reivindicações populares. No período da Independência, parte da elite participou ativamente do processo, no intuito de
instalar um partido nacional, sob sua liderança, garantindo participação controlada dos afro-brasileiros e inibindo novas rebeliões de negros.
atender aos clamores apresentados no movimento baiano, de modo a inviabilizar novas rebeliões, garantindo o controle da situação.
firmar alianças com as lideranças escravas, permitindo a promoção de mudanças exigidas pelo povo sem a profundidade proposta inicialmente.
impedir que o povo conferisse ao movimento um teor libertário, o que terminaria por prejudicar seus interesses e seu projeto de nação.
rebelar-se contra as representações metropolitanas, isolando politicamente o Príncipe Regente, instalando um governo conservador para controlar o povo.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que afirma que a elite participou da Independência para impedir que o movimento adquirisse um caráter libertário, protegendo seus interesses e seu projeto de nação. Isso se justifica pelo contexto histórico: a elite colonial brasileira temia o radicalismo da Revolução Haitiana e da Conjuração Baiana, que propunham igualdade racial e liberdade para os escravizados. Assim, ao aderir ao processo de Independência, a elite buscou controlar as transformações, evitando uma ruptura social profunda que ameaçasse sua posição privilegiada.
As demais alternativas estão incorretas: a que sugere instalar um partido nacional com participação controlada dos afro-brasileiros não corresponde à postura histórica da elite, que não pretendia incluir a população negra de forma organizada; a que propõe atender aos clamores do movimento baiano é falsa, pois a elite rejeitava as reivindicações populares; a que menciona firmar alianças com lideranças escravas é incorreta, já que a elite não buscava alianças com escravos, mas sim manter a ordem escravista; e a que fala em rebelar-se contra as representações metropolitanas isolando o Príncipe Regente não reflete o objetivo principal da elite, que era justamente evitar radicalismos e não se opor à metrópole de forma revolucionária.