Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c08
Lépida e leve
Língua do meu Amor velosa e doce,
que me convences de que sou frase,
que me contornas, que me vestes quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Língua que me cativas, que me enleias
os surtos de ave estranha,
em linhas longas de invisíveis teias,
de que és, há tanto, habilidosa aranha...
[...]
Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
amo-te como todas as mulheres
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
pela carne de som que à ideia emprestas
e pelas frases mudas que proferes
nos silêncios de Amor!...
A poesia de Gilka Machado identifica-se com as concepções artísticas simbolistas. Entretanto, o texto selecionado incorpora referências temáticas e formais modernistas, já que, nele, a poeta
procura desconstruir a visão metafórica do amor e abandona o cuidado formal.
concebe a mulher como um ser sem linguagem e questiona o poder da palavra.
questiona o trabalho intelectual da mulher e antecipa a construção do verso livre.
propõe um modelo novo de erotização na lírica amorosa e propõe a simplificação verbal.
explora a construção da essência feminina, a partir da polissemia de “língua”, e inova o léxico.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que afirma que a poeta explora a construção da essência feminina a partir da polissemia de “língua” e inova o léxico. Isso porque o poema de Gilka Machado, embora tenha raízes simbolistas, incorpora traços modernistas ao brincar com os múltiplos sentidos da palavra “língua” (órgão, idioma, linguagem) e ao criar neologismos como “língua-lama” e “língua-resplendor”, o que representa uma inovação lexical típica do Modernismo. A alternativa que sugere desconstruir a visão metafórica do amor e abandonar o cuidado formal está incorreta, pois o poema mantém uma estrutura formal cuidada (versos metrificados e rimas) e não abandona a metáfora, mas a explora. A alternativa que concebe a mulher como um ser sem linguagem e questiona o poder da palavra está errada, pois o poema exalta a língua como instrumento de expressão e poder, não nega a linguagem à mulher. A alternativa que questiona o trabalho intelectual da mulher e antecipa o verso livre é inadequada, pois o poema não aborda o trabalho intelectual feminino e não utiliza verso livre, mantendo-se em versos regulares. A alternativa que propõe um novo modelo de erotização e simplificação verbal também é incorreta, pois o poema não simplifica a linguagem, mas a enriquece com polissemia e neologismos, e a erotização está presente, mas não é o foco principal da inovação modernista apontada.