Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019e5c0d
Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas”.
O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania
possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de qualquer época fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar.
era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade.
estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da pólis a participarem da vida cívica.
tinha profundas conexões com a justiça, razão pela qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às atividades vinculadas aos tribunais.
vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àqueles que se dedicavam à política e que tinham tempo para resolver os problemas da cidade.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que afirma que a cidadania era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade. O texto de Aristóteles explicita que os cidadãos não devem se ocupar com trabalhos triviais, negócios ou agricultura, pois o lazer é indispensável para o desenvolvimento moral e a prática política. Isso revela uma visão elitista e hierárquica, na qual apenas aqueles com tempo livre (ociosidade) poderiam ser cidadãos plenos, excluindo trabalhadores e agricultores.
A alternativa que afirma que a cidadania possui uma dimensão histórica criticável, condenando a ociosidade dos políticos, está incorreta porque Aristóteles não critica a ociosidade; ao contrário, ele a valoriza como condição para a cidadania. A alternativa que vincula a cidadania a uma percepção democrática e participação de todos os habitantes está errada, pois o texto mostra que nem todos participavam: trabalhadores e agricultores eram excluídos. A alternativa que relaciona o tempo livre à justiça e tribunais é incorreta, pois Aristóteles associa o lazer ao desenvolvimento moral e à política, não especificamente a tribunais. Por fim, a alternativa que afirma que a cidadania era restrita a quem se dedicava à política e tinha tempo para resolver problemas da cidade está parcialmente correta, mas é menos precisa que a opção correta, pois não enfatiza a hierarquização social e a exclusão de grupos inferiores, que é o cerne da visão aristotélica.