Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c0e
Quando eu falo com vocês, procuro usar o código de vocês. A figura do índio no Brasil de hoje não pode ser aquela de 500 anos atrás, do passado, que representa aquele primeiro contato. Da mesma forma que o Brasil de hoje não é o Brasil de ontem, tem 160 milhões de pessoas com diferentes sobrenomes. Vieram para cá asiáticos, europeus, africanos, e todo mundo quer ser brasileiro. A importante pergunta que nós fazemos é: qual é o pedaço de índio que vocês têm? O seu cabelo? São seus olhos? Ou é o nome da sua rua? O nome da sua praça? Enfim, vocês devem ter um pedaço de índio dentro de vocês. Para nós, o importante é que vocês olhem para a gente como seres humanos, como pessoas que nem precisam de paternalismos, nem precisam ser tratadas com privilégios. Nós não queremos tomar o Brasil de vocês, nós queremos compartilhar esse Brasil com vocês.
Os procedimentos argumentativos utilizados no texto permitem inferir que o ouvinte/leitor, no qual o emissor foca o seu discurso, pertence
ao mesmo grupo social do falante/autor.
a um grupo de brasileiros considerados como não índios.
a um grupo étnico que representa a maioria europeia que vive no país.
a um grupo formado por estrangeiros que falam português.
a um grupo sociocultural formado por brasileiros naturalizados e imigrantes.
Official Explanation / Community Explanations
O texto é um discurso de um líder indígena, Marcos Terena, dirigido a um público não indígena. Ele utiliza expressões como "o código de vocês", "o Brasil de vocês" e "compartilhar esse Brasil com vocês", estabelecendo uma clara distinção entre o grupo do emissor (índios) e o grupo do ouvinte/leitor (não índios). A pergunta "qual é o pedaço de índio que vocês têm?" sugere que o ouvinte é alguém que pode ter ascendência indígena, mas não se identifica como índio, ou seja, é um brasileiro não índio. Portanto, a alternativa que afirma que o ouvinte pertence a um grupo de brasileiros considerados como não índios está correta.
A alternativa que aponta o mesmo grupo social do falante está incorreta, pois o falante se coloca como índio e se dirige a um grupo diferente. A alternativa que menciona a maioria europeia é muito restritiva, pois o texto fala de brasileiros em geral, não apenas de origem europeia. A alternativa sobre estrangeiros que falam português não se sustenta, pois o texto se refere a brasileiros. A alternativa sobre brasileiros naturalizados e imigrantes também é restritiva, pois o texto abrange todos os brasileiros não índios, independentemente de sua origem.