Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c0f
A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada... Que talento ela possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras! Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.
Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha
tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica muito adversa.
compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional.
retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana européia em concomitância com a representação literária de engenhos, rios e florestas do Brasil.
aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa quanto a européia.
imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como modelo e origem as fontes da literatura e da cultura européia universalizada.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que afirma que a velha Totonha compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional. O texto mostra que ela adapta os contos europeus à realidade local, substituindo reinos por engenhos, rios europeus por rios brasileiros, e personagens como Barba-Azul por um senhor de engenho pernambucano. Isso evidencia uma apropriação criativa que resulta em narrativas com marcas da colonização e da realidade nacional, sem se prender a modelos estrangeiros.
A alternativa que diz que ela tira o sustento da literatura está incorreta, pois o texto não menciona sua fonte de renda, apenas seu talento para contar histórias.
A alternativa que afirma que ela retrata a civilização urbana europeia concomitantemente com elementos brasileiros está errada, pois o texto mostra que ela substitui os elementos europeus pelos locais, não os justapõe.
A alternativa que a aproxima do romancista que pretende retratar a realidade brasileira de forma grandiosa quanto a europeia é incorreta, pois o texto não faz essa comparação de grandiosidade.
A alternativa que diz que ela imprime marcas locais em narrativas que têm como modelo e origem a literatura europeia universalizada está parcialmente correta, mas a resposta correta é mais precisa ao afirmar que as narrativas são livres da influência de temas não representativos da realidade nacional, ou seja, ela não apenas imprime marcas locais, mas transforma os contos em algo genuinamente brasileiro.