Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019e5c10
Segundo a análise do Prof. Paulo Canedo de Magalhães, do Laboratório de Hidrologia da COPPE, UFRJ, o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco envolve uma vazão de água modesta e não representa nenhum perigo para o Velho Chico, mas pode beneficiar milhões de pessoas. No entanto, o sucesso do empreendimento dependerá do aprimoramento da capacidade de gestão das águas nas regiões doadora e receptora, bem como no exercício cotidiano de operar e manter o sistema transportador.
Embora não seja contestado que o reforço hídrico poderá beneficiar o interior do Nordeste, um grupo de cientistas e técnicos, a convite da SBPC, numa análise isenta, aponta algumas incertezas no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Afirma também que a água por si só não gera desenvolvimento e será preciso implantar sistemas de escoamento de produção, capacitar e educar pessoas, entre outras ações.
(Adaptado. Ciência Hoje, volume 37, número 217, julho de 2005)
Os diferentes pontos de vista sobre o megaprojeto de transposição das águas do Rio São Francisco quando confrontados indicam que
as perspectivas de sucesso dependem integralmente do desenvolvimento tecnológico prévio da região do semi-árido nordestino.
o desenvolvimento sustentado da região receptora com a implantação do megaprojeto independe de ações sociais já existentes.
o projeto deve limitar-se às infra-estruturas de transporte de água e evitar induzir ou incentivar a gestão participativa dos recursos hídricos.
o projeto deve ir além do aumento de recursos hídricos e remeter a um conjunto de ações para o desenvolvimento das regiões afetadas.
as perspectivas claras de insucesso do megaprojeto inviabilizam a sua aplicação, apesar da necessidade hídrica do semi-árido.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que afirma que as perspectivas claras de insucesso do megaprojeto inviabilizam a sua aplicação, apesar da necessidade hídrica do semi-árido. O texto apresenta dois pontos de vista: um defensor, que destaca os benefícios potenciais e a modéstia da vazão, e outro crítico, que aponta incertezas e a necessidade de ações complementares. Ao confrontá-los, percebe-se que o ponto de vista crítico não nega a necessidade hídrica, mas considera que as incertezas e a falta de ações integradas tornam o projeto inviável. As demais alternativas estão incorretas: a que afirma que o sucesso depende integralmente do desenvolvimento tecnológico prévio é exagerada, pois o texto menciona gestão e capacitação, não apenas tecnologia; a que diz que o desenvolvimento independe de ações sociais existentes contradiz o texto, que defende ações sociais; a que propõe limitar o projeto à infraestrutura hídrica vai contra a crítica que pede mais ações; e a que sugere ir além do aumento de recursos hídricos é uma visão parcial, mas não reflete o confronto dos pontos de vista, que aponta inviabilidade.