Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c12
Murilo Mendes, em um de seus poemas, dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha:
“A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias,
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muito,
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais
Diamantes tem à vontade
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca,
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora daqui”.
Arcaísmos e termos coloquiais misturam-se nesse poema, criando um efeito de contraste, como ocorre em:
A terra é mui graciosa / Tem macaco até demais
Salvo o devido respeito / Reforçai, Senhor, a arca
A gente vai passear / Ficarei muito saudoso
De plumagens mui vistosas / Bengala de castão de oiro
No chão espeta um caniço / Diamantes tem à vontade
Official Explanation / Community Explanations
A alternativa correta aponta o par de versos em que há o contraste direto entre o arcaísmo e o coloquialismo. O segmento "A terra é mui graciosa" resgata o tom solene e arcaico da literatura de viagem colonial (com o uso do intensificador "mui"), enquanto "Tem macaco até demais" utiliza uma estrutura marcadamente coloquial (uso do verbo "ter" com sentido de existir e a expressão popular "até demais").
Nas demais alternativas, não se observa esse contraste específico:
- O par "Salvo o devido respeito / Reforçai, Senhor, a arca" mantém um tom formal e cerimonioso em ambos os versos.
- O par "A gente vai passear / Ficarei muito saudoso" apresenta uma expressão coloquial ("A gente"), mas o segundo verso está na norma-padrão, sem apresentar um arcaísmo característico.
- O par "De plumagens mui vistosas / Bengala de castão de oiro" é composto por dois segmentos de tom formal e arcaizante (uso de "mui" e da variante fonética "oiro").
- O par "No chão espeta um caniço / Diamantes tem à vontade" apresenta construções de caráter mais informal e cotidiano em ambos os versos, sem o contraste com o arcaísmo.