Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c13
Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos:
I. Quando nasci, um anjo torto / Desses que vivem na sombra / Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida (ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964)
II. Quando nasci veio um anjo safado / O chato dum querubim / E decretou que eu tava predestinado / A ser errado assim / Já de saída a minha estrada entortou / Mas vou até o fim. (BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia das Letras, 1989)
III. Quando nasci um anjo esbelto / Desses que tocam trombeta, anunciou: / Vai carregar bandeira. / Carga muito pesada pra mulher / Esta espécie ainda envergonhada. (PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986)
Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por
reiteração de imagens.
oposição de idéias.
falta de criatividade.
negação dos versos.
ausência de recursos.
Official Explanation / Community Explanations
A intertextualidade é o diálogo entre textos, podendo ocorrer por meio de citações, alusões, paródias, entre outros recursos. No caso, os textos de Adélia Prado e Chico Buarque retomam o poema de Carlos Drummond de Andrade, mas não para negá-lo ou opor-se a ele, e sim para reiterar a imagem do anjo que anuncia um destino ao eu lírico. Em Drummond, o anjo torto diz que ele será "gauche" na vida; em Chico Buarque, o anjo safado decreta que ele será "errado assim"; em Adélia Prado, o anjo esbelto anuncia que ela carregará bandeira, uma carga pesada para mulher. Todos partem da mesma imagem inicial (o anjo que fala ao nascer) e a desenvolvem de forma criativa, mantendo a ideia de um destino marcado por uma figura angelical. Portanto, a relação é de reiteração de imagens, e não de oposição de ideias (que seria uma paródia crítica), falta de criatividade (pois há criação nova), negação dos versos (pois não há negação, mas sim retomada) ou ausência de recursos (já que há clara intenção intertextual).