Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e354a
Maranhenses que moram longe matam a saudade da terra natal usando expressões próprias do estado. Se o maranhês impressiona e desperta a curiosidade de quem mora no próprio Maranhão, imagine de quem vem de outros estados e países? A variedade linguística local é enorme e o modo de falar tão próprio e característico dos maranhenses vem conquistando muita gente e inspirando títulos e muito conteúdo digital com a criação de podcasts, blogs, perfis na internet, além de estampar diversos tipos de produtos e serviços de empresas locais.
Com saudades do Maranhão, morando há 16 anos no Rio de Janeiro, um fotógrafo maranhense criou um perfil na internet no qual compartilha a culinária, brincadeiras e o ‘dicionário’ maranhês. “A primeira vez que fui a uma padaria no Rio, na inocência, pedi 3 reais de ‘pães misturados’. Quando falei isso, as pessoas pararam e me olharam de uma forma bem engraçada, aí já fiquei ‘encabulado, ó’ e o atendente sorriu e explicou que lá não existia pão misturado e, sim, pão francês e suíço. Depois foi a minha vez de explicar sobre os pães ‘massa grossa e massa fina’”, contou o fotógrafo, com humor.
A vivência relatada no texto evidencia que as variedades linguísticas
impedem o entendimento mútuo.
enaltecem o português do Maranhão.
são constitutivas do português brasileiro.
exigem a dicionarização dos termos usados.
são restritas a situações coloquiais de comunicação.
Official Explanation / Community Explanations
Análise da Vivência Linguística
A resposta correta é a alternativa C) são constitutivas do português brasileiro.
1. O Foco na Diversidade como Parte do Todo
O texto celebra e exemplifica a riqueza do "maranhês", mas o faz dentro de um contexto maior: o Brasil. O relato do fotógrafo não mostra um isolamento linguístico, mas sim um encontro entre diferentes formas de falar a mesma língua.
Vamos analisar os elementos-chave:
- O Encontro na Padaria: O episódio na padaria do Rio de Janeiro é o exemplo perfeito. O maranhense pede "pão misturado" (termo comum no MA) e não é compreendido inicialmente. O atendente carioca explica os termos locais ("pão francês e suíço"). O maranhense, por sua vez, explica os seus termos ("massa grossa e massa fina"). * A Negociação de Sentido: O que acontece não é uma falha total de comunicação, mas uma negociação. Ambos os lados aprendem algo novo sobre como a sua língua é falada em outra região. Eles conseguem se entender após a explicação mútua. * A Variedade como Riqueza: O texto menciona que essa variedade "vem conquistando muita gente" e inspira conteúdos digitais. Isso mostra que as diferenças não são problemas a serem corrigidos, mas características culturais valiosas.
Essa troca evidencia que a língua portuguesa no Brasil não é um bloco monolítico, uniforme. Ela é, na verdade, formada por todas essas variedades regionais. O "maranhês", o "carioca", o "mineiro", etc., constituem, juntos, o que chamamos de português brasileiro.
2. Avaliação das Outras Alternativas
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A) impedem o entendimento mútuo: Incorreto. O relato mostra exatamente o contrário: apesar do estranhamento inicial, houve entendimento após a explicação. A comunicação não foi impedida, apenas exigiu um ajuste.
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B) enaltecem o português do Maranhão: Incorreto. Embora o texto valorize o falar maranhense, a vivência relatada (o episódio da padaria) mostra um intercâmbio entre duas variedades, sem colocar uma como superior à outra. O foco da questão é o que a vivência evidencia, que é a existência dessas múltiplas formas.
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D) exigem a dicionarização dos termos usados: Incorreto. A criação de "dicionários" informais na internet é citada como uma consequência curiosa e divertida, não como uma exigência formal para que a comunicação aconteça.
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E) são restritas a situações coloquiais de comunicação: Incorreto. Embora o exemplo seja coloquial (uma padaria), as variedades linguísticas permeiam todas as esferas da vida social, não se restringindo apenas a momentos informais.
3. Conclusão
O relato vivencial demonstra na prática que a língua portuguesa no Brasil é plural. As diferentes formas de falar, com seus vocabulários específicos para coisas cotidianas como pão, são as partes que, somadas, constituem a realidade do português brasileiro.