Ciências Humanas e suas Tecnologias
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Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019e354a

Question Statement
Ciências Humanas e suas Tecnologias
#filosofia
#sociologia
#injustiça epistêmica
#preconceito
#humanas
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Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte.

KUHNEN, T. Resenha de The Power and Ethics of Knowing, de Miranda Fricker. Revista Princípios, n. 33, 2013.

Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça

A

estética, que normatiza os padrões corporais.

B

sensorial, que privilegia as habilidades visuais.

C

afetiva, que impede as expressões emocionais.

D

epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.

Correct
E

econômica, que perpetua as desigualdades materiais.

Official Explanation / Community Explanations

Análise do Texto sobre Preconceito de Identidade

A resposta correta é a alternativa D) epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.


1. A Definição do Tipo de Injustiça

O texto descreve um tipo muito específico de injustiça. Ela não se manifesta na distribuição de bens (econômica), na valorização da beleza (estética) ou na expressão de sentimentos (afetiva). A injustiça descrita ocorre no campo do conhecimento e da credibilidade.

O prefixo "epistêmico" vem da palavra grega episteme, que significa "conhecimento" ou "saber". Portanto, uma injustiça epistêmica é aquela que prejudica uma pessoa em sua capacidade como agente de conhecimento.

2. Como o Texto Descreve a Injustiça Epistêmica

O texto detalha perfeitamente esse processo:

  1. O Preconceito como Filtro: Um ouvinte, influenciado por preconceitos de identidade (raça, gênero), atribui um "déficit de credibilidade" ao falante. 2. A Desvalorização do Testemunho: Como consequência, as "declarações" e "testemunhos" da pessoa são considerados "menos importantes" ou são descredibilizados. 3. O Prejuízo na Troca de Informação: A pessoa é impedida de transmitir conhecimento ou de ser vista como uma fonte confiável de informação, não pelo conteúdo do que ela diz, mas por quem ela é. A troca informacional é, portanto, prejudicada ou completamente bloqueada por esse viés.

O texto de Miranda Fricker, que está sendo resenhado, é a obra fundamental que define e nomeia esse fenômeno como "injustiça epistêmica", especificamente a "injustiça testemunhal".

3. Avaliação das Outras Alternativas

  • A) estética, que normatiza os padrões corporais: Incorreto. O texto não fala sobre aparência ou padrões de beleza, mas sobre a validade do que as pessoas falam. * B) sensorial, que privilegia as habilidades visuais: Incorreto. O foco não é em habilidades sensoriais, mas na credibilidade atribuída à fala. * C) afetiva, que impede as expressões emocionais: Incorreto. A injustiça não está em impedir a expressão de emoções, mas em desvalorizar o conteúdo informativo do discurso de alguém. * E) econômica, que perpetua as desigualdades materiais: Incorreto. Embora a injustiça epistêmica possa ter consequências econômicas (por exemplo, em um processo judicial ou em uma entrevista de emprego), a injustiça descrita no texto é, em sua essência, sobre conhecimento e credibilidade, não sobre dinheiro.

4. Conclusão

Com base na reflexão do texto, o preconceito de identidade é responsável por uma injustiça epistêmica, pois ataca diretamente a capacidade de uma pessoa de ser reconhecida como um sujeito de conhecimento, prejudicando assim as trocas informacionais justas e equitativas.