Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019e354a
No Brasil, os remanescentes de antigos quilombos, “mocambos”, “comunidades negras rurais”, “quilombos contemporâneos”, “comunidades quilombolas” ou “terras de preto” referem-se a um mesmo patrimônio territorial e cultural inestimável, que só recentemente passaram a ter atenção do Estado e ser do interesse de algumas autoridades e organismos oficiais.
ANJOS, R. S. A. Cartografia e quilombos: territórios étnicos africanos no Brasil. Africana Studia, n. 9, 2007.
Na esfera de ação do Estado, com a Constituição de 1988, os espaços mencionados tornaram-se objeto de
iniciativas de planejamento familiar.
projetos de reorientação religiosa.
programas de moradias sustentáveis.
políticas de inserção social.
medidas de homogeneização educacional.
Official Explanation / Community Explanations
Análise do Texto sobre Comunidades Quilombolas
A resposta correta é a alternativa D) políticas de inserção social.
1. A Mudança de Paradigma com a Constituição de 1988
O texto afirma que os remanescentes de quilombos, um "patrimônio territorial e cultural inestimável", só "recentemente passaram a ter atenção do Estado". A pergunta direciona essa mudança para a Constituição de 1988, que é um marco fundamental na história dos direitos sociais no Brasil.
2. O Papel da Constituição de 1988
A Constituição de 1988, conhecida como "Constituição Cidadã", foi pioneira ao reconhecer oficialmente a existência e os direitos dessas comunidades. Especificamente, o Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) estabeleceu:
"Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos."
Este artigo representa uma mudança radical. O Estado brasileiro, pela primeira vez em sua lei maior, reconhece uma dívida histórica e estabelece um mecanismo de reparação: a garantia do direito à terra.
3. A Terra como Ferramenta de Inserção Social
A garantia da posse da terra para as comunidades quilombolas não é apenas uma questão de propriedade. É o alicerce para uma série de outras ações que visam a inserção social de um grupo historicamente marginalizado e excluído. A posse do território permite:
- A preservação de sua cultura e modo de vida. * A segurança para desenvolver atividades econômicas. * O reconhecimento formal como cidadãos com direitos específicos. * A base para a implementação de outras políticas públicas (saúde, educação diferenciada, etc.).
Portanto, ao reconhecer esses espaços e garantir seus direitos territoriais, o Estado está implementando políticas de inserção social, ou seja, ações que visam integrar essas comunidades na sociedade brasileira como sujeitos de direitos, combatendo a exclusão histórica.
4. Avaliação das Outras Alternativas
- A) iniciativas de planejamento familiar: Não há relação com o tema dos direitos territoriais e culturais dos quilombos. * B) projetos de reorientação religiosa: Incorreto. A Constituição garante a liberdade religiosa e o reconhecimento cultural, que é o oposto de "reorientação". * C) programas de moradias sustentáveis: Embora possam ser políticas complementares, o cerne da questão constitucional é o direito à terra, não o tipo de moradia. * E) medidas de homogeneização educacional: Incorreto. O reconhecimento dessas comunidades leva ao desenvolvimento de políticas de educação diferenciada (educação quilombola), que valorizam sua cultura específica, o oposto da homogeneização.
5. Conclusão
Com a Constituição de 1988, os espaços quilombolas tornaram-se objeto de políticas de inserção social, cujo pilar fundamental é o reconhecimento do direito à terra como forma de reparação histórica e garantia de cidadania.