Ciências da Natureza e suas Tecnologias Question #019e354b
O exoesqueleto dos crustáceos é formado por quitina e impregnações de sais calcários e, por isso, é mais duro quando comparado com o exoesqueleto de outros artrópodes. Esse revestimento externo confere proteção, mas, por ser duro, limita o crescimento desses animais.
Para superar essa limitação, o exoesqueleto deve ser
formado somente na fase adulta do animal.
fragmentado para expansão nas áreas de articulação.
modelado continuamente para ajuste ao tamanho do corpo.
substituído por meio de mudas que ocorrem periodicamente.
impregnado por pequena quantidade de sais para sua distensão.
Official Explanation / Community Explanations
Análise do Crescimento dos Crustáceos
A resposta correta é a alternativa D) substituído por meio de mudas que ocorrem periodicamente.
1. O Dilema do Exoesqueleto Rígido
O enunciado da questão descreve um conflito fundamental na biologia dos artrópodes, incluindo os crustáceos:
- Vantagem: O exoesqueleto, especialmente o dos crustáceos que é endurecido com sais calcários, oferece excelente proteção contra predadores e danos físicos, além de servir como ponto de ancoragem para os músculos. * Desvantagem: Por ser uma estrutura rígida e inelástica, ele não cresce junto com o animal. Funciona como uma armadura que, em determinado momento, se torna pequena demais.
Isso cria a necessidade de um mecanismo que permita o aumento do tamanho corporal, superando a limitação imposta por esse revestimento externo.
2. A Solução Evolutiva: Ecdise (Muda)
A solução que evoluiu nos artrópodes para esse problema é um processo chamado ecdise ou muda. Ele consiste na troca periódica do exoesqueleto. O processo ocorre da seguinte forma:
- Formação do Novo Exoesqueleto: Sob o exoesqueleto antigo e apertado, o animal começa a secretar uma nova cutícula, maior e ainda mole. 2. Descarte do Exoesqueleto Antigo: O animal se livra do exoesqueleto antigo, que se abre em pontos de fraqueza. Este é o ato da "muda". 3. Crescimento: No curto período em que o novo exoesqueleto ainda está mole e flexível, o animal absorve água ou ar para expandir seu corpo rapidamente, "esticando" a nova cutícula ao seu tamanho máximo. 4. Endurecimento: O novo exoesqueleto então endurece (através de processos de esclerotização e impregnação de sais), formando uma nova armadura protetora, agora de tamanho adequado.
Esse processo faz com que o crescimento dos artrópodes não seja contínuo, mas ocorra em "saltos" ou etapas, a cada muda.
3. Avaliação das Outras Alternativas
- A) formado somente na fase adulta do animal: Incorreto. O exoesqueleto é essencial para a proteção e sustentação em todas as fases da vida do animal, desde as larvas. * B) fragmentado para expansão nas áreas de articulação: Incorreto. As articulações são áreas de cutícula fina e flexível que permitem o movimento dos apêndices, mas não a expansão e o crescimento geral do corpo. * C) modelado continuamente para ajuste ao tamanho do corpo: Incorreto. O exoesqueleto é rígido e não pode ser "modelado" ou esticado continuamente. A única forma de ajustá-lo ao crescimento é descartando-o. * E) impregnado por pequena quantidade de sais para sua distensão: Incorreto. A impregnação por sais calcários é o que torna o exoesqueleto mais duro e rígido, e não mais distensível (elástico).
4. Conclusão
A única maneira pela qual os crustáceos (e outros artrópodes) podem crescer, apesar de estarem envoltos por um exoesqueleto rígido, é através da sua substituição periódica, um processo conhecido como muda ou ecdise.