Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5bdd

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
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Símbolos Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua... Um símbolo descubro aqui, neste momento esta rocha, este mar... a minha vida e a tua. O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento de quem maltrata e, após, se arrepende e recua. Como compreendo bem da rocha o sentimento! São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua. Contemplo neste quadro a nossa triste vida; tu és dúbio mar que, na sua inconsciência, tem carinhos de amor e fúrias de demência! Eu sou a dor estanque, a dor empedernida, sou rocha a emergir de um côncavo de areia, imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.

MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro: Cátedra/MEC, 1978.

Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao

A

rejeitar as emoções de “amor” e “mágoa”.

B

expressar a dubiedade do olhar sobre o outro.

C

representar o “eu” e o “tu” como sujeitos volúveis.

D

associar a sua inconsciência a elementos da natureza.

E

metaforizar o conflito amoroso nas imagens de “mar” e “rocha”.

Correct

Official Explanation / Community Explanations

Para compreender como os traços da estética simbolista são resgatados no soneto de Gilka Machado, devemos analisar as correspondências analógicas estabelecidas pelo eu lírico entre os elementos da natureza e os sentimentos humanos.

1. Análise do Texto e da Estética Simbolista

O Simbolismo, movimento literário do final do século XIX e início do século XX, caracteriza-se pelo antirrealismo, pelo misticismo, pela busca de musicalidade e, acima de tudo, pelo uso sistemático de símbolos, metáforas e sugestões para expressar a complexidade do mundo interior e da alma humana, em oposição à descrição objetiva e direta.

No poema, cujo próprio título é "Símbolos", o eu lírico faz uma transposição imediata do cenário que contempla (o mar chocando-se contra a rocha) para a sua realidade afetiva subjetiva ("esta rocha, este mar... a minha vida e a tua"). O conflito e a dinâmica de um relacionamento amoroso problemático são construídos de forma metafórica através de dois grandes símbolos naturais:

  • O Mar (representando o "Tu"): Associado ao movimento constante, à instabilidade e à violência que maltrata e depois recua ("O mar vem, o mar vai..."). É descrito como dúbio, inconsciente, alternando entre "carinhos de amor" e "fúrias de demência".
  • A Rocha (representando o "Eu"): Associada à rigidez, à estaticidade, à dor acumulada e à resignação sofrida ("Eu sou a dor estanque, a dor empedernida"). É a parte que sofre o impacto contínuo do mar de forma "imóvel, muda, isenta e alheia".

Dessa forma, o eu lírico resgata a essência do Simbolismo ao metaforizar o conflito amoroso nas imagens de “mar” e “rocha”.


Análise dos Distratores (Alternativas Incorretas)

  • rejeitar as emoções de “amor” e “mágoa”: Incorreta. O eu lírico não rejeita o amor ou a mágoa. Pelo contrário, o soneto é uma expressão profunda dessas mesmas emoções, que são plenamente vivenciadas e descritas através da analogia com a rocha dolorida ("a minha mágoa e a sua").
  • expressar a dubiedade do olhar sobre o outro: Incorreta. O termo "dúbio" aparece no texto para qualificar o comportamento do mar ("tu és o dúbio mar"), que alterna carinhos e fúrias, mas a temática do poema não se centra em um questionamento ou ambiguidade sobre a forma de "olhar" ou enxergar o parceiro.
  • representar o “eu” e o “tu” como sujeitos volúveis: Incorreta. Apenas o "tu" (o mar) é retratado como um sujeito volúvel e inconstante. O "eu" (a rocha) é caracterizado de forma oposta: rígido, empedernido, imóvel e imutável em sua dor constante.
  • associar a sua inconsciência a elementos da natureza: Incorreta. A inconsciência mencionada no poema é um atributo dado ao comportamento do outro ("tu és o dúbio mar que, na sua inconsciência..."), e não uma característica do eu lírico associada diretamente aos fenômenos naturais.