Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5bdd

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Patrimônio Linguístico
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A característica fundamental no aprendizado das práticas rituais nos candomblés é o processo iniciático e participante. Durante o período de reclusão em terreiros ou roças, o iniciado passa por uma série de ritos esotéricos (banhos rituais, raspagem da cabeça etc.), ao mesmo tempo em que começa a adquirir um complexo código de símbolos materiais (substâncias, folhas, frutos, raízes etc.) e de gestos associados a um repertório linguístico específico das cerimônias que se desenrolam nos contextos sagrados em geral e em cada terreiro em particular. Esse repertório linguístico, genericamente chamado de “língua de santo” na Bahia, compreende uma terminologia religiosa operacional, de caráter mágico-semântico e de aparente forma portuguesa, mas que repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata, vindo a constituir uma língua ritual, que se acredita pertencer à nação do vodum, do orixá ou do inquice, e não a determinada nação africana política atual.

Disponível em: https://periodicos.ufba.br. Acesso em: 21 jan. 2024 (adaptado).

A “língua de santo” tem sua importância para o patrimônio linguístico brasileiro por

A

apresentar uma carga semântica mítica.

B

conservar elementos dos falares dos escravizados.

Correct
C

resgatar expressões portuguesas do período colonial.

D

decodificar o ritual religioso dos nossos antepassados.

E

favorecer a compreensão do léxico africano contemporâneo.

Official Explanation / Community Explanations

Para compreender a relevância da "língua de santo" como elemento do patrimônio linguístico brasileiro, devemos analisar a origem histórica desse repertório e os processos de preservação cultural destacados no texto.

1. Análise do Texto

O fragmento analisa a linguagem ritual utilizada nas cerimônias dos candomblés na Bahia, conhecida como "língua de santo":

  • Origem Histórica: O texto indica que esse repertório "repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata".
  • Função Cultural: Trata-se de uma língua litúrgica e ritual baseada em termos mágicos e religiosos. Ao manter e transmitir esses termos de geração em geração durante os processos de iniciação nos terreiros, essa prática atua como uma barreira contra o esquecimento histórico.

Essa variedade linguística funciona como um "arquivo vivo" que guarda vestígios fonéticos, lexicais e gramaticais das diversas línguas do continente africano trazidas pelas pessoas escravizadas. Logo, a importância desse patrimônio reside na sua capacidade de conservar elementos dos falares dos escravizados.


2. Análise dos Distratores (Alternativas Incorretas)

  • apresentar uma carga semântica mítica: Incorreta. Embora a "língua de santo" de fato apresente um caráter mágico-semântico e ritualístico ligado ao sagrado e ao mito, a sua relevância para o patrimônio linguístico nacional é de ordem predominantemente histórica, social e documental (preservar a memória dos falares africanos do período colonial), e não apenas de ordem mítica ou religiosa.
  • resgatar expressões portuguesas do período colonial: Incorreta. Apesar de o texto apontar que a terminologia litúrgica tem "aparente forma portuguesa", a essência e a base dessa variedade residem nas raízes lexicais africanas trazidas de forma forçada ao Brasil durante a escravidão, e não na recuperação de dialetos coloniais portugueses antigos.
  • decodificar o ritual religioso dos nossos antepassados: Incorreta. A "língua de santo" não funciona como uma chave de tradução externa criada para decifrar de fora ou traduzir as cerimônias; ela é, intrinsecamente, a própria linguagem de realização viva e ativa dos cultos.
  • favorecer a compreensão do léxico africano contemporâneo: Incorreta. A "língua de santo" preserva as heranças lexicais das línguas africanas faladas no Brasil no período da escravidão (passado histórico). Devido à distância temporal e geográfica e à evolução natural dos idiomas no continente africano, ela não tem como foco ou finalidade a facilitação do estudo ou compreensão do léxico atual falado nas nações africanas contemporâneas.