Ciências da Natureza e suas Tecnologias
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Ciências da Natureza e suas Tecnologias Question #019e5bdd

Question Statement
Ciências da Natureza e suas Tecnologias
#Bioquímica
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Há um grande esforço científico no desenvolvimento de novos processos para o aproveitamento de resíduos lignocelulósicos, como o bagaço de cana-de-açúcar, para produção de etanol de segunda geração (2G). Apesar de já existirem tecnologias disponíveis, a maioria apresenta limitações técnicas ou econômicas. Nesse sentido, um dos principais desafios que envolvem a produção de etanol celulósico é disponibilizar monossacarídeos fermentáveis das moléculas poliméricas, conforme a ilustração.

Esquema em fluxo horizontal representando as etapas de produção do etanol de segunda geração (2G). À esquerda, há uma foto de fragmentos fibrosos e esbranquiçados com a legenda 'Bagaço de cana-de-açúcar'. Uma seta horizontal com o rótulo 'Extração' aponta para a fórmula química estrutural da 'Celulose' entre colchetes com índice 'n', mostrando dois anéis de glicose unidos por ligação beta-1,4-glicosídica. A partir da celulose, uma seta com o rótulo 'Hidrólise enzimática' direciona para a representação cíclica de Haworth da molécula de 'Glicose'. Em seguida, uma seta com a inscrição 'Fermentação' aponta para o produto final identificado como 'Etanol 2G'.
SANTOS, F. A. et al. Potencial da palha de cana-de-açúcar para produção de etanol. Química Nova, n. 5, 2012 (adaptado).

Um pesquisador, para tentar otimizar a produção, poderia acrescentar ao processo de hidrólise enzimas extraídas de

A

células entéricas de gaviões.

B

suco pancreático de humanos.

C

bactérias do rúmen de bovinos.

Correct
D

glândulas salivares de roedores.

E

macerado do estômago de macacos.

Official Explanation / Community Explanations

1. Compreensão do Contexto Geral

O esquema da imagem descreve a rota biotecnológica para a produção de etanol de segunda geração () a partir do bagaço de cana-de-açúcar. O processo se divide nas seguintes fases sequenciais:

  1. Extração: isolamento da fração polissacarídica vegetal rica em celulose (polímero de glicose indicado na figura com índice e ligações ).
  2. Hidrólise enzimática: clivagem desse polímero em monômeros de glicose.
  3. Fermentação: conversão da glicose em etanol 2G.

Para otimizar a hidrólise enzimática, são necessárias celulases ativas capazes de quebrar as ligações -glicosídicas, que não são digeridas pelo maquinário enzimático direto da maioria dos animais vertebrados, mas sim por microrganismos celulolíticos especializados.

2. Justificativa da Alternativa Correta

A alternativa correta é a que indica as bactérias do rúmen de bovinos. Bovinos são mamíferos ruminantes que abrigam no rúmen uma comunidade simbiótica de bactérias, fungos e protozoários estritamente anaeróbios capazes de sintetizar e secretar um complexo de celulases (endoglucanases, exoglucanases e -glicosidases). Essas enzimas degradam eficientemente a celulose das paredes celulares vegetais em moléculas de glicose simples, exatamente a conversão indicada na etapa de "Hidrólise enzimática" do esquema.

3. Análise dos Distratores (Alternativas Incorretas)

  • células entéricas de gaviões.: Incorreta. Gaviões são aves de hábitos estritamente carnívoros; suas células intestinais produzem enzimas voltadas à absorção e digestão de proteínas e lipídios de origem animal, sendo desprovidas de microbiota ou maquinário celulolítico.
  • suco pancreático de humanos.: Incorreta. O suco pancreático humano secreta amilase pancreática, a qual hidrolisa exclusivamente ligações -glicosídicas (presentes no amido e glicogênio), sendo completamente inerte contra a ligação -glicosídica da celulose.
  • glândulas salivares de roedores.: Incorreta. As glândulas salivares de roedores secretam ptialina (amilase salivar) e muco, que atuam sobre o amido. Embora alguns roedores apresentem fermentação cecal pós-gástrica, suas glândulas salivares não produzem celulases.
  • macerado do estômago de macacos.: Incorreta. O estômago de primatas produz ácido clorídrico () e pepsinogênio (ativado em pepsina) para a quebra inicial de proteínas, não possuindo enzimas capazes de quebrar resíduos lignocelulósicos em glicose.