Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5bea
Ora, sempre que surge uma nova técnica, ela quer demonstrar que revogará as regras e coerções que presidiram o nascimento de todas as outras invenções do passado. Ela se pretende orgulhosa e única. Como se a nova técnica carreasse com ela, automaticamente, para seus novos usuários, uma propensão natural a fazer economia de qualquer aprendizagem. Como se ela se preparasse para varrer tudo que a precedeu, ao mesmo tempo transformando em analfabetos todos os que ousassem repeli-la.
Fui testemunha dessa mudança ao longo de toda a minha vida. Ao passo que, na realidade, é o contrário que acontece. Cada nova técnica exige uma longa iniciação numa nova linguagem, ainda mais longa na medida em que nosso espírito é formatado pela utilização das linguagens que precederam o nascimento da recém-chegada.
O texto revela que, quando a sociedade promove o desenvolvimento de uma nova técnica, o que mais impacta seus usuários é a
dificuldade na apropriação da nova linguagem.
valorização da utilização da nova tecnologia.
recorrência das mudanças tecnológicas.
suplantação imediata dos conhecimentos prévios.
rapidez no aprendizado do manuseio das novas invenções.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que aponta a dificuldade na apropriação da nova linguagem. O texto de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière argumenta que, ao contrário da crença comum de que novas técnicas dispensam aprendizados anteriores, cada nova técnica exige uma longa iniciação em uma nova linguagem. Essa iniciação é ainda mais demorada porque nosso espírito já está formatado pelas linguagens anteriores. Portanto, o principal impacto sobre os usuários é justamente a dificuldade de aprender essa nova linguagem.
A alternativa que menciona a valorização da utilização da nova tecnologia está incorreta porque o texto não discute valorização, mas sim o processo de adaptação e aprendizado.
A opção sobre a recorrência das mudanças tecnológicas também não é o foco; o texto não enfatiza a frequência das mudanças, mas sim a necessidade de aprendizado a cada nova técnica.
A alternativa que fala em suplantação imediata dos conhecimentos prévios é contrária ao que o texto defende: ele afirma que as novas técnicas não varrem o passado, mas exigem um aprendizado que se soma aos conhecimentos anteriores.
Por fim, a opção que sugere rapidez no aprendizado do manuseio das novas invenções é oposta à ideia central do texto, que destaca a longa iniciação necessária.