Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5beb

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Gêneros Textuais
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Ser cronista Sei que não sou, mas tenho meditado ligeiramente no assunto. Crônica é um relato? É uma conversa? É um resumo de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances e contos. E também sem perceber, à medida que escrevia para aqui, ia me tornando pessoal demais, correndo o risco de em breve publicar minha vida passada e presente, o que não pretendo. Outra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para o jornal, isto é, para algo aberto facilmente por todo o mundo, e não para um livro, que só é aberto por quem realmente quer, para que, sem mesmo sentir, o modo de escrever se transforme. Não é que me desagrade mudar, pelo contrário. Mas queria que fossem mudanças mais profundas e interiores que não viessem a se refletir no escrever. Mas mudar só porque isso é uma coluna ou uma crônica? Ser mais leve só porque o leitor assim o quer? Divertir? Fazer passar uns minutos de leitura? E outra coisa: nos meus livros quero profundamente a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado. Vou dizer a verdade: não estou contente.

LISPECTOR, C. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

No texto, ao refletir sobre a atividade de cronista, a autora questiona características do gênero crônica, como

A

relação distanciada entre os interlocutores.

Correct
B

articulação de vários núcleos narrativos.

C

brevidade no tratamento da temática.

D

descrição minuciosa dos personagens.

E

público leitor exclusivo.

Official Explanation / Community Explanations

A resposta correta é a que aponta a brevidade no tratamento da temática. No texto, Clarice Lispector reflete sobre a crônica como um gênero que exige leveza e rapidez, mencionando que no jornal ela precisa "ser mais leve" e "fazer passar uns minutos de leitura", o que contrasta com a profundidade que busca em seus livros. Essa característica de abordar temas de forma concisa e superficial é típica da crônica jornalística.

A alternativa que menciona a relação distanciada entre os interlocutores está incorreta porque, no texto, a autora busca uma aproximação com o leitor, falando diretamente a ele e desejando agradá-lo, o que indica proximidade, não distanciamento.

A opção sobre articulação de vários núcleos narrativos não se sustenta, pois a crônica geralmente tem um único núcleo narrativo, e o texto não sugere múltiplos núcleos.

A descrição minuciosa dos personagens também não é característica da crônica, que é breve e não se aprofunda em descrições detalhadas; além disso, o texto não menciona personagens.

Por fim, a alternativa sobre público leitor exclusivo é incorreta, pois a crônica é publicada em jornal, que é um meio de comunicação de massa, acessível a todos, e a autora destaca justamente que escreve "para algo aberto facilmente por todo o mundo".