Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5beb

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
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O bebê de tarlatana rosa — [...] Na terça desliguei-me do grupo e caí no mar alto da depravação, só, com uma roupa leve por cima da pele e todos os maus instintos fustigados. De resto a cidade inteira estava assim. É o momento em que por trás das máscaras as meninas confessam paixões aos rapazes, é o instante em que as ligações mais secretas transparecem, em que a virgindade é dúbia, e todos nós a achamos inútil, a honra uma caceteação, o bom senso uma fadiga. Nesse momento tudo é possível, os maiores absurdos, os maiores crimes; nesse momento há um riso que galvaniza os sentidos e o beijo se desata naturalmente. Eu estava trepidante, com uma ânsia de acanalhar-me, quase mórbida. Nada de raparigas do galarim perfumadas e por demais conhecidas, nada do contato familiar, mas o deboche anônimo, o deboche ritual de chegar, pegar, acabar, continuar. Era ignóbil. Felizmente muita gente sofre do mesmo mal no carnaval.

RIO, J. Dentro da noite. São Paulo: Antiqua, 2002.

No texto, o personagem vincula ao carnaval atitudes e reações coletivas diante das quais expressa

A

A consagração da alegria do povo.

B

Atração e asco perante atitudes libertinas.

Correct
C

Espanto com a quantidade de foliões nas ruas.

D

Intenção de confraternizar com desconhecidos.

E

Reconhecimento da festa como manifestação cultural.

Official Explanation / Community Explanations

A resposta correta é a que aponta atração e asco perante atitudes libertinas. O narrador descreve o carnaval como um momento de depravação e deboche, mas ao mesmo tempo sente uma "ânsia de acanalhar-me" e considera o comportamento "ignóbil". Essa ambiguidade entre desejo e repulsa é evidente no trecho: ele se sente atraído pela libertinagem, mas a julga negativamente. As demais alternativas não correspondem ao texto: a consagração da alegria do povo não é mencionada, pois o tom é crítico; o espanto com a quantidade de foliões não aparece; a intenção de confraternizar é desmentida pelo desejo de "deboche anônimo"; e o reconhecimento da festa como manifestação cultural não é abordado, já que o foco é na experiência individual e moral.