Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5bef
Na sua imaginação perturbada sentia a natureza toda agitando-se para sufocá-la. Aumentavam as sombras. No céu, nuvens colossais e túmidas rolavam para o abismo do horizonte... Na várzea, ao clarão indeciso do crepúsculo, os seres tomavam ares de monstros... As montanhas, subindo ameaçadoras da terra, perfilavam-se tenebrosas... Os caminhos, espreguiçando-se sobre os campos, animavam-se quais serpentes infinitas... As árvores soltas choravam ao vento, como carpideiras fantásticas da natureza morta... Os aflitivos pássaros noturnos gemiam agouros com pios fúnebres. Maria quis fugir, mas os membros cansados não acudiam aos ímpetos do medo e deixavam-na prostrada em uma angústia desesperada.
No trecho, o narrador mobiliza recursos de linguagem que geram uma expressividade centrada na percepção da
relação entre a natureza opressiva e o desejo de libertação da personagem.
confluência entre o estado emocional da personagem e a configuração da paisagem.
prevalência do mundo natural em relação à fragilidade humana.
depreciação do sentido da vida diante da consciência da morte iminente.
instabilidade psicológica da personagem face à realidade hostil.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que aponta a confluência entre o estado emocional da personagem e a configuração da paisagem. No trecho, o narrador descreve a natureza de forma personificada e ameaçadora ("nuvens colossais e túmidas", "montanhas... ameaçadoras", "caminhos... serpentes infinitas"), refletindo o medo e a angústia de Maria. Essa técnica, conhecida como projeção psicológica ou paisagem como estado d'alma, faz com que o ambiente externo espelhe o interior da personagem. As demais alternativas estão incorretas: a que menciona a relação entre natureza opressiva e desejo de libertação não encontra respaldo no texto, pois Maria não expressa desejo de libertação, apenas medo e paralisia; a que fala em prevalência do mundo natural sobre a fragilidade humana é muito genérica e não capta a especificidade da expressividade centrada na percepção da personagem; a que trata de depreciação do sentido da vida diante da morte iminente não é abordada no trecho; e a que cita instabilidade psicológica face à realidade hostil é parcialmente verdadeira, mas não é o foco da expressividade, que está na fusão entre emoção e paisagem.