Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
medium

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019f6986

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Artes Visuais
Medium

A volta do marido pródigo — Bom dia, seu Marrinha! Como passou de ontem? — Bem. Já sabe, não é? Só ganha meio dia. [...] Lá além, Generoso cotuca Tercino: — [...] Vai em festa, dorme que-horas, e, quando chega, ainda é todo enfeitado e salamistrão!... — Que é que hei de fazer, seu Marrinha... Amanheci com uma nevralgia... Fiquei com cisma de apanhar friagem... — Hum... — Mas o senhor vai ver como eu toco o meu serviço e ainda faço este povo trabalhar... [...] Pintão suou para desprender um pedrouço, e teve de pular para trás, para que a laje lhe não esmagasse um pé. Pragueja: — Quem não tem brio engorda! — É... Esse sujeito só é isso, e mais isso... — opina Sidu. — Também, tudo p’ra ele sai bom, e no fim dá certo... — diz Correia, suspirando e retomando o enxadão. — “P’ra uns, as vacas morrem ... p’ra outros até boi pega a parir...”. Seu Marra já concordou: — Está bem, seu Laio, por hoje, como foi por doença, eu aponto o dia todo. Que é a última vez!... E agora, deixa de conversa fiada e vai pegando a ferramenta!

ROSA, J. G. **Sagarana**. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967.

Esse texto tem importância singular como patrimônio linguístico para a preservação da cultura nacional devido

A

à menção a enfermidades que indicam falta de cuidado pessoal.

B

à referência a profissões já extintas que caracterizam a vida no campo.

C

aos nomes de personagens que acentuam aspectos de sua personalidade.

D

ao emprego de ditados populares que resgatam memórias e saberes coletivos.

Correct
E

às descrições de costumes regionais que desmistificam crenças e superstições.

Official Explanation / Community Explanations

O texto do renomado autor João Guimarães Rosa apresenta uma rica construção da linguagem popular, típica do sertão mineiro. O patrimônio linguístico e a preservação da cultura nacional são evidenciados, de forma explícita, por meio da oralidade e da sabedoria popular transmitida de geração em geração.

No trecho, observamos o uso de ditados populares (ou provérbios) que sintetizam lições de vida e saberes coletivos consolidados na tradição oral:

  • "Quem não tem brio engorda!"
  • "P’ra uns, as vacas morrem... p’ra outros até boi pega a parir..."

Essas expressões resgatam a memória coletiva e a identidade de um povo, justificando a alternativa D como a correta.

Análise das alternativas incorretas:

  • A está incorreta porque a menção à "nevralgia" e à "friagem" são justificativas banais do personagem para o seu atraso, e não elementos de preservação do patrimônio linguístico nacional sob a ótica da falta de cuidados pessoais.
  • B está incorreta porque o texto não faz menção a profissões extintas, mas sim ao trabalho braçal no campo (como o uso do enxadão), que ainda existe.
  • C está incorreta porque, embora os nomes dos personagens de Guimarães Rosa sejam muito expressivos, não é esse fator que atua primordialmente como resgate do patrimônio cultural e da memória coletiva em comparação com os provérbios citados.
  • E está incorreta porque o texto não busca "desmistificar" crenças ou superstições, mas apenas retratar o cotidiano e a fala típica dos trabalhadores rurais.