Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019f6986
Os linguistas têm notado a expansão do tratamento informal. “Tenho 78 anos e devia ser tratado por senhor, mas meus alunos mais jovens me tratam por você”, diz o professor Ataliba Castilho, aparentemente sem se incomodar com a informalidade, inconcebível em seus tempos de estudante. O você, porém, não reinará sozinho. O tu predomina em Porto Alegre e convive com o você no Rio de Janeiro e em Recife, enquanto você é o tratamento predominante em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Salvador. O tu já era mais próximo e menos formal que você nas quase 500 cartas do acervo on-line de uma instituição universitária, quase todas de poetas, políticos e outras personalidades do final do século XIX e início do XX.
No texto, constata-se que os usos de pronomes variaram ao longo do tempo e que atualmente têm empregos diversos pelas regiões do Brasil. Esse processo revela que
a escolha de “você” ou de “tu” está condicionada à idade da pessoa que usa o pronome.
a possibilidade de se usar tanto “tu” quanto “você” caracteriza a diversidade da língua.
o pronome “tu” tem sido empregado em situações informais por todo o país.
a ocorrência simultânea de “tu” e de “você” evidencia a inexistência da distinção entre níveis de formalidade.
o emprego de “você” em documentos escritos demonstra que a língua tende a se manter inalterada.
Official Explanation / Community Explanations
O tema central do texto é a variação linguística, abordada tanto sob a perspectiva histórica (variação diacrônica) quanto sob a perspectiva regional/geográfica (variação diatópica), a partir do uso dos pronomes de tratamento "tu" e "você".
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Por que a alternativa B está correta?
A coexistência e a distribuição distinta de "tu" e "você" pelas diferentes regiões do Brasil (como o predomínio do "tu" em Porto Alegre e do "você" em São Paulo) evidenciam a variação regional, que é uma das principais características da diversidade e da riqueza de uma língua viva. -
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- A está incorreta porque a variação do uso desses pronomes mostrada no texto é predominantemente regional e histórica, não estando estritamente condicionada à idade do falante (embora a relação de idade seja mencionada no exemplo inicial do professor, ela não dita a escolha geral dos pronomes no país).
- C está incorreta porque o texto deixa claro que o "tu" não é empregado de forma homogênea por todo o país, mas sim de maneira localizada (predomina em Porto Alegre e convive com o "você" no Rio de Janeiro e em Recife, enquanto em outras capitais o "você" predomina).
- D está incorreta porque a coexistência dos pronomes não anula a distinção de formalidade. O próprio texto aponta que, historicamente, o "tu" era considerado "menos formal que você".
- E está incorreta porque as mudanças apontadas no texto (como a expansão do tratamento informal ao longo das gerações) provam justamente o oposto: que a língua é dinâmica e está em constante evolução, e não que ela tende a se manter inalterada.