Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019f6986

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Variação Linguística
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Estojo escolar Rio de Janeiro — Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial. [...] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil. No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto. [...] De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância. Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros. [...] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. [...] O notebook que agora abro é negro e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, a aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.

CONY, C. H. **Crônicas para ler na escola.** São Paulo: Objetiva, 2009 (adaptado).

No texto, há marcas da função da linguagem que nele predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar em foco o(a)

A

mensagem, elevando-a à categoria de objeto estético do mundo das artes.

B

código, transformando a linguagem utilizada no texto na própria temática abordada.

C

contexto, fazendo das informações presentes no texto seu aspecto essencial.

D

enunciador, buscando expressar sua atitude em relação ao conteúdo do enunciado.

Correct
E

interlocutor, considerando-o responsável pelo direcionamento dado à narrativa pelo enunciador.

Official Explanation / Community Explanations

O fragmento apresentado é uma crônica de Carlos Heitor Cony, marcada fortemente pela subjetividade, memórias pessoais e impressões do próprio autor. No texto, identificamos o uso constante da primeira pessoa do singular ("vi", "pretendo", "meu primeiro", "abro", "acho que piorei"), o que evidencia a função emotiva (ou expressiva) da linguagem.

A função emotiva é aquela centrada no enunciador (emissor), tendo como objetivo principal expressar sentimentos, emoções, opiniões e atitudes do sujeito em relação ao que está sendo dito (o conteúdo do enunciado). Ao comparar o estojo de sua infância com o notebook moderno e concluir com um lamento pessoal ("Acho que piorei de estojo e de vida"), o foco reside inteiramente na atitude e na visão de mundo do enunciador.

Análise das alternativas incorretas:

  • A. Incorreta. A função focada na mensagem é a função poética, que trabalha a estrutura textual e a sonoridade de forma estética. Embora haja recursos literários, a função predominante é a emotiva.
  • B. Incorreta. A função focada no código é a função metalinguística (a linguagem explicando a própria linguagem), o que não ocorre na temática do texto.
  • C. Incorreta. A função focada no contexto é a função referencial (ou informativa), típica de textos jornalísticos e científicos objetivos, o que contrasta com o forte teor subjetivo e opinativo da crônica.
  • E. Incorreta. A função focada no interlocutor (receptor) é a função conativa (ou apelativa), que busca convencer ou ordenar o leitor, recurso que não guia a narrativa de Cony.