Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019f6986

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Artes Visuais
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Naquele tempo, Itaguaí, que, como as demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia: ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da matriz; — ou por meio de matraca.

Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe incumbiam, — um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano, etc. O sistema tinha inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos vereadores desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mais tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regímen mereciam o desprezo do nosso século.

ASSIS, M. **O alienista.** Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 2 jun. 2019 (adaptado).

O fragmento faz uma referência irônica a formas de divulgação e circulação de informações em uma localidade sem imprensa. Ao destacar a confiança da população no sistema da matraca, o narrador associa esse recurso à disseminação de

A

campanhas políticas.

B

anúncios publicitários.

C

notícias de apelo popular.

D

informações não fidedignas.

Correct
E

serviços de utilidade pública.

Official Explanation / Community Explanations

O gabarito correto é a alternativa D, pois o fragmento de O alienista, de Machado de Assis, utiliza a ironia para descrever o funcionamento e a eficácia do "sistema da matraca" na propagação de boatos e mentiras.

Para ilustrar a "absoluta confiança" que a população depositava nesse meio de divulgação local, o narrador relata o caso de um vereador que ganhou fama de exímio domador de cobras e macacos sem nunca ter domesticado animal algum, apenas por pagar mensalmente para que a matraca anunciasse essa suposta habilidade. O texto enfatiza que as pessoas chegaram a jurar ter visto cascavéis dançando no peito do vereador — uma "afirmação perfeitamente falsa", mas aceita como verdade pura pela credulidade da população no meio de divulgação. Portanto, o sistema da matraca é diretamente associado à disseminação de informações não fidedignas (falsas, boatos, fake news de época).

Análise das alternativas incorretas:

  • A. campanhas políticas: Embora envolva um vereador, o foco do texto não está na propaganda eleitoral ou plataforma de campanha política, mas sim na criação de uma reputação falsa.
  • B. anúncios publicitários: A matraca de fato servia para anunciar produtos e serviços (como remédios e tesouras), mas a ironia do narrador sobre a "absoluta confiança" da população destaca especificamente a propagação da mentira, e não a publicidade comercial legítima.
  • C. notícias de apelo popular: O foco do trecho em destaque não é o interesse geral das massas, mas sim a falsidade da informação aceita como verdade.
  • E. serviços de utilidade pública: A divulgação de falsas habilidades de um político não se configura como serviço de utilidade pública.