Ciências Humanas e suas Tecnologias Question #019f6986
Durante os anos de 1854-55, o governo brasileiro — por meio de sua representação diplomática em Londres — e os livre-cambistas ingleses — nas colunas do Daily News e na Câmara dos Comuns — aumentaram a pressão pela revogação da Lei Aberdeen. O governo britânico, entretanto, ainda receava que, sem um tratado anglo-brasileiro satisfatório para substituí-la, não haveria nada que impedisse os brasileiros de um dia voltarem aos seus velhos hábitos.
As tensões diplomáticas expressas no texto indicam o interesse britânico em
estabelecer jurisdição conciliadora.
compartilhar negócios marítimos.
fomentar políticas higienistas.
manter a proibição comercial.
promover o negócio familiar.
Official Explanation / Community Explanations
O item aborda as relações diplomáticas entre o Império do Brasil e a Grã-Bretanha em meados do século XIX, especificamente em relação à Lei Aberdeen (Bill Aberdeen, de 1845). Essa lei britânica autorizava a Real Marinha Britânica a interceptar e apreender navios negreiros brasileiros no Oceano Atlântico, julgando as tripulações em tribunais britânicos de forma unilateral.
O texto de apoio indica que o governo britânico resistia a revogar a referida lei por receio de que o Brasil retornasse aos seus "velhos hábitos". Esse eufemismo refere-se à prática do tráfico transatlântico de escravizados, que havia sido efetivamente combatido e proibido internamente no Brasil a partir da Lei Eusébio de Queirós, em 1850.
Portanto:
- Alternativa D (Correta): O interesse do governo britânico era garantir a manutenção da proibição do comércio de escravizados (tráfico negreiro). Sem garantias diplomáticas formais e duradouras (um tratado bilateral satisfatório), a Grã-Bretanha relutava em abrir mão do seu instrumento de pressão unilateral (a Lei Aberdeen).
- Alternativa A (Incorreta): A postura britânica com a Lei Aberdeen era impositiva e unilateral, e não baseada em uma "jurisdição conciliadora".
- Alternativa B (Incorreta): O foco britânico era a proibição do tráfico de escravizados, e não o estabelecimento de parcerias para "compartilhar negócios marítimos".
- Alternativa C (Incorreta): Embora o higienismo estivesse em debate no século XIX, a questão central da Lei Aberdeen e do embate diplomático relatado era estritamente a abolição do comércio de escravizados.
- Alternativa E (Incorreta): A discussão diplomática envolvia o comércio internacional de escravizados em larga escala, sem qualquer relação com a promoção de "negócio familiar".