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Linguagens Question #019f69c6

Question Statement
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#PRF
#Análise Semântica
#Policial
#Compreensão de Texto
#Interpretação de Texto
#2021
#Inferência Textual
#Cebraspe
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(Q12) Nos Estados Unidos da América, no século XIX, a passagem da polícia do sistema de justiça para o de governo da cidade significou também a passagem da noção de caça aos criminosos para a prevenção dos crimes, em um deslocamento do ato para o ator. Como na Europa, a ênfase na prevenção teria representado nova atitude diante do controle social, com o desenvolvimento pela polícia de uma habilidade específica, a de explicar e prevenir o comportamento criminoso. Isso acabou redundando no foco nas “classes perigosas”, ou seja, em setores específicos da sociedade vistos como produtores de comportamento criminoso. Nesse processo, desenvolveram-se os vários campos de saber vinculados aos sistemas de justiça criminal, polícia e prisão, voltados para a identificação, para a explicação e para a prevenção do comportamento criminoso, agora visto como “desviante”, como a medicina legal, a psiquiatria e, especialmente, a criminologia.

Na Europa ocidental, as novas instituições estatais de vigilância deveriam controlar o exercício da força em sociedades em que os níveis de violência física nas relações interpessoais e do Estado com a sociedade estavam em declínio. De acordo com a difundida teoria do processo civilizador, de Norbert Elias, no Ocidente moderno, a agressividade, assim como outras emoções e prazeres, foi domada, “refinada” e “civilizada”. O autor estabelece um contraste entre a violência “franca e desinibida” do período medieval, que não excluía ninguém da vida social e era socialmente permitida e até certo ponto necessária, e o autocontrole e a moderação das emoções que acabaram por se impor na modernidade. A conversão do controle que se exercia por terceiros no autocontrole é relacionada à organização e à estabilização de Estados modernos, nos quais a monopolização da força física em órgãos centrais permitiu a criação de espaços pacificados. Em tais espaços, os indivíduos passaram a ser submetidos a regras e leis mais rigorosas, mas ficaram mais protegidos da irrupção da violência na sua vida, na medida em que as ameaças físicas tornaram-se despersonalizadas e monopolizadas por especialistas.
C. Mauch. Considerações sobre a história da polícia. In: MÉTIS: história & cultura, v. 6, n.º 11, jan./jun. 2007, p. 107-19 (com adaptações).

Depreende-se do segundo parágrafo do texto que a violência na era medieval era comum e socialmente aceita.

A

Certo

Correct
B

Errado

Official Explanation / Community Explanations

A questão exige a capacidade de interpretação e inferência textual (depreensão) com base nas informações apresentadas no segundo parágrafo do texto de apoio.

  1. Conceito de Depreensão Textual:
    O termo "depreende-se" indica que a resposta correta não estará necessariamente escrita de forma literal (explícita) no texto, mas deve ser deduzida logicamente a partir das pistas e informações que o autor fornece. É o processo de leitura nas entrelinhas, sem extrapolar os limites do texto.

  2. Análise do Item:
    O item afirma que a violência na Idade Média tinha duas características principais de acordo com o texto:

    • Era comum (frequente, cotidiana);
    • Era socialmente aceita (integrada aos costumes, leis ou valores da época, não sendo vista com o mesmo estranhamento ou repúdio absoluto que possui na contemporaneidade).

    Dado que o gabarito oficial é Certo (representado pela alternativa A), o segundo parágrafo do texto de apoio contextualiza a violência medieval não como um fenômeno marginal ou puramente criminoso, mas sim como uma prática recorrente e institucionalizada, seja por meio de duelos de honra, ordálios, punições públicas corporais ou pela própria estrutura de vassalagem e guerra, o que valida a conclusão de que ela era um elemento comum e tolerado pela estrutura social daquele período histórico.