Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5bf0

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura Brasileira
Medio

Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas na ponta dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Umas manhãs de vidro
Vento, a alma esvaziada, um sol que não vejo
Também isso te devo.

HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.

No poema, o eu lírico faz um inventário de estados passados espelhados no presente. Nesse processo, aflora o

A

cuidado em apagar da memória os restos do amor.

B

amadurecimento revestido de ironia e desapego.

Correcto
C

mosaico de alegrias formado seletivamente.

D

desejo reprimido convertido em delírio.

E

arrependimento dos erros cometidos.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

O poema de Hilda Hilst apresenta um eu lírico que faz um balanço de experiências passadas, reconhecendo a grandiosidade dos planos e a beleza das coisas que se desfizeram. O tom não é de lamento ou arrependimento, mas de uma constatação serena e madura, marcada por ironia e desapego. A expressão "Tudo isso te devo" sugere uma dívida que não é negativa, mas sim um reconhecimento do que foi vivido, mesmo que tenha se desfeito. As imagens de "navios", "muralhas de marfim", "cavalo de jade" e "dupla transparência" indicam a riqueza do que foi planejado, enquanto "tudo se desfez no pórtico do tempo" mostra a transitoriedade. O eu lírico não tenta apagar a memória (opção A), pois ele a evoca; não seleciona apenas alegrias (opção C), pois há também "lua enlutada", "solidão", "corpo morrendo"; não há delírio (opção D), mas lucidez; e não há arrependimento (opção E), mas aceitação. Portanto, aflora um amadurecimento revestido de ironia e desapego.