Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5bf0
Toca a sirene na fábrica,
e o apito como um chicote
bate na manhã nascente
e bate na tua cama
no sono da madrugada.
Ternuras da áspera lona
pelo corpo adolescente.
É o trabalho que te chama.
Às pressas tomas o banho,
tomas teu café com pão,
tomas teu lugar no bote
no cais do Capibaribe.
Deixas chorando na esteira
teu filho de mãe solteira.
Levas ao lado a marmita,
contendo a mesma ração
do meio de todo o dia,
a carne-seca e o feijão.
De tudo quanto ele pede
dás só bom-dia ao patrão,
e recomeças a luta
na engrenagem da fiação.
Nesse texto, a mobilização do uso padrão das formas verbais e pronominais
ajuda a localizar o enredo num ambiente estático.
auxilia na caracterização física do personagem principal.
acrescenta informações modificadoras às ações dos personagens.
alterna os tempos da narrativa, fazendo progredir as ideias do texto.
está a serviço do projeto poético, auxiliando na distinção dos referentes.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que afirma que o uso padrão das formas verbais e pronominais está a serviço do projeto poético, auxiliando na distinção dos referentes. No poema, o eu lírico utiliza a segunda pessoa do singular (tu) para se dirigir ao trabalhador, criando uma proximidade e individualizando o personagem. As formas verbais como "tomas", "deixas", "levas", "dás" e "recomeças" estão no presente do indicativo, indicando ações habituais e rotineiras, o que contribui para a construção da identidade do trabalhador e para a crítica social implícita. Essa escolha linguística não é aleatória, mas sim parte do projeto poético do autor, que busca dar voz e visibilidade ao operário, distinguindo-o do patrão e de outros referentes. As demais alternativas estão incorretas: a primeira sugere um ambiente estático, mas o poema descreve uma rotina dinâmica; a segunda fala em caracterização física, mas o foco é psicológico e social; a terceira menciona informações modificadoras, mas as ações são apresentadas de forma direta, sem modificações; a quarta alega alternância de tempos narrativos, mas o poema mantém o presente do indicativo de forma consistente.