Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c01

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura Brasileira
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Dia 20/10
É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preciso poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública.

TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012.

O processo de construção do texto formata uma mensagem por ele dimensionada, uma vez que

A

configura o estreitamento da linguagem poética.

B

reflete as lacunas da lucidez em desconstrução.

C

projeta a persistência das emoções reprimidas.

D

repercute a consciência da agonia antecipada.

Correcto
E

revela a fragmentação das relações humanas.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A resposta correta é a que afirma que o texto repercute a consciência da agonia antecipada. O poema de Torquato Neto, marcado por repetições e imperativos como "É preciso não morrer por enquanto" e "É preciso sobreviver para verificar", expressa uma luta contra a morte iminente e uma angústia que antecede o fim. A estrutura fragmentada e a insistência em "não dar de comer aos urubus" (símbolo da morte) revelam uma consciência agônica do próprio declínio.

A alternativa que aponta o estreitamento da linguagem poética está incorreta, pois o poema não reduz a linguagem, mas a expande em repetições e paradoxos. A que reflete as lacunas da lucidez em desconstrução também não se sustenta, já que o texto não sugere perda de lucidez, mas sim uma lucidez dolorosa. A opção sobre a persistência das emoções reprimidas é inadequada, pois as emoções são explicitamente expressas, não reprimidas. Por fim, a fragmentação das relações humanas não é o foco; o poema centra-se na relação do eu lírico consigo mesmo e com a morte.