Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c01

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Interpretação de Texto
Medio

Somente uns tufos secos de capim empedrados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssimas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cercanias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. Mas seus olhos, a boca, a pele – tudo é de uma aridez sufocante. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode.
Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. Não tem retratos na memória. Desapossada e despojada, não se abate em autoacusações e remorsos. Vive. Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emudece, se dessangra, se cristaliza, se mineraliza. Já é quase de pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se enlaçam.

FRÓES, L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Na apresentação da paisagem e da personagem, o narrador estabelece uma correlação de sentidos em que esses elementos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana configura-se

A

amalgamada pelo processo comum de desertificação e de solidão.

Correcto
B

fortalecida pela adversidade extensiva à terra e aos seres vivos.

C

redimensionada pela intensidade da luz e da exuberância local.

D

imersa num drama existencial de identidade e de origem.

E

imobilizada pela escassez e pela opressão do ambiente.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A resposta correta é a que afirma que a condição humana se configura amalgamada pelo processo comum de desertificação e de solidão. O texto descreve uma paisagem árida e deserta, com capim seco, uma árvore com poucas folhas e uma mulher magra e ossuda, cujo rosto é lanhado pelo vento. A mulher é descrita como desapossada, despojada e esvaziada, quase se mineralizando como a pedra ao seu lado. Essa correlação entre a paisagem desertificada e a personagem estabelece uma fusão entre o ambiente e o ser humano, indicando que ambos compartilham o mesmo processo de desertificação e solidão. A alternativa que menciona fortalecimento pela adversidade está incorreta, pois a personagem não demonstra fortalecimento, mas sim esvaziamento e cristalização. A que fala em redimensionamento pela luz e exuberância local é oposta ao cenário descrito, que é de aridez e não de exuberância. A opção sobre drama existencial de identidade e origem não se sustenta, pois o texto não aborda questões de identidade ou origem, mas sim a dissolução do eu. Por fim, a alternativa que sugere imobilização pela escassez e opressão do ambiente também não é a melhor, pois a personagem, embora imersa na aridez, não está imobilizada; ela está de pé e sua sombra se estica e se enlaça com a sombra da árvore, sugerindo uma continuidade e não uma imobilidade total. Portanto, a ideia de amalgamação pelo processo comum de desertificação e solidão é a que melhor capta a correlação entre paisagem e personagem.