Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c01
O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapidamente as oito horas havia o remédio: conversar. Era proibido, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um quebrar de olhos que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidante.
O romance, de 1939, traz à cena tipos e situações que espelham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento, o narrador delineia esse contexto centrado no
julgamento da mulher fora do espaço doméstico.
relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo.
destaque a grupos populares na condição de protagonistas.
processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem.
vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que aponta o vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos. O fragmento descreve o trabalho de Leniza em uma fábrica, onde ela convive com outras operárias e, por meio das conversas, perde a ingenuidade e adquire uma postura mais ousada e sensual. Esse processo reflete as mudanças sociais ocorridas no Rio de Janeiro dos anos 1930, com a urbanização e a inserção da mulher no mercado de trabalho, que alteraram os papéis femininos tradicionais.
A alternativa que menciona o julgamento da mulher fora do espaço doméstico está incorreta, pois o texto não aborda julgamentos morais, mas sim a transformação da personagem. A opção sobre as condições de trabalho no Estado Novo também é inadequada, já que o foco não é a denúncia das condições laborais, mas a socialização entre as operárias. A alternativa que destaca grupos populares como protagonistas é parcialmente verdadeira, mas não capta o cerne da questão, que é a relação entre urbanização e papéis femininos. Por fim, a opção sobre a inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem é equivocada, pois o texto menciona "linguagem solta e assuntos crus", mas não se limita a isso; o essencial é a transformação da personagem no contexto urbano.