Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c03
De domingo
— Outrossim…
— O quê?
— O que o quê?
— O que você disse.
— Outrossim?
— É.
— O que é que tem?
— Nada. Só achei engraçado.
— Não vejo a graça.
— Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias.
— Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo.
— Se bem que parece mais uma palavra de segunda-feira.
— Não. Palavra de segunda-feira é “óbice”.
— “Ônus”.
— “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.
— “Resquício” é de domingo.
— Não, não. Segunda. No máximo terça.
— Mas “outrossim”, francamente...
— Qual o problema?
— Retira o “outrossim”.
— Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás é uma palavra difícil de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”.
No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da língua portuguesa. Esse uso promove o(a)
marcação temporal, evidenciada pela presença de palavras indicativas dos dias da semana.
tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras empregadas em contextos formais.
caracterização da identidade linguística dos interlocutores, percebida pela recorrência de palavras regionais.
distanciamento entre os interlocutores, provocado pelo emprego de palavras com significados pouco conhecidos.
inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de palavras desconhecidas por parte de um dos interlocutores do diálogo.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que aponta o tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras empregadas em contextos formais. No diálogo, os interlocutores discutem o uso de palavras como “outrossim”, “óbice”, “ônus”, “desiderato” e “resquício”, que são típicas de registros formais ou jurídicos, mas são utilizadas em uma conversa cotidiana sobre dias da semana, gerando um contraste cômico. A alternativa que menciona a marcação temporal está incorreta, pois as palavras indicativas dos dias da semana (domingo, segunda, terça) são apenas o tema da discussão, não o efeito do uso das palavras formais. A caracterização da identidade linguística regional está errada, pois as palavras não são regionais, mas sim de um registro formal. O distanciamento entre os interlocutores não é o efeito principal, já que a discussão é amigável e bem-humorada. A inadequação vocabular também não se sustenta, pois um dos interlocutores defende o uso das palavras, mostrando que as conhece e as emprega intencionalmente.