Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c04
Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia, que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.
A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma percepção que
recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.
desconstrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever.
resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.
transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana.
satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que afirma que a narrativa transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana. O texto de Fernando Bonassi apresenta uma sequência de eventos históricos e culturais de forma fragmentada e absurda, misturando elementos como a criação bíblica, o surgimento da filosofia, dos números racionais e da história, além de invenções como calmantes e estimulantes. O tom é irônico e bem-humorado, especialmente ao tratar de temas sérios de maneira despretensiosa, como quando diz que a filosofia explicava "como não fazer o que não devia ser feito" ou que a história organiza "eventos sem sentido". Essa abordagem celebra o caos e a falta de sentido da vida, sem pretender oferecer uma explicação lógica ou moral.
A alternativa que menciona a tradição bíblica está incorreta porque, embora o texto comece com uma referência à criação ("Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio"), ele não se limita a isso e não busca inspiração religiosa; ao contrário, subverte a narrativa bíblica ao misturá-la com outros elementos de forma irônica.
A alternativa que fala em desconstruir o discurso da filosofia para questionar o conceito de dever também está incorreta. O texto menciona a filosofia de forma irônica, mas não a descontrói sistematicamente; o foco não é questionar o dever, mas sim apresentar uma visão cômica e caótica da história.
A alternativa que sugere resgatar a metodologia da história para denunciar atitudes irracionais está errada porque o texto não utiliza metodologia histórica; ele apenas lista eventos de forma aleatória e sem rigor, justamente para criticar a pretensão de organizar o caos.
Por fim, a alternativa que afirma satirizar a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico é parcialmente verdadeira, pois há ironia em relação aos números racionais e aos calmantes/estimulantes, mas o texto não se concentra nisso; a sátira abrange muitos outros elementos, e o objetivo principal não é desmistificar a ciência, mas sim celebrar o caos da vida cotidiana com humor e ironia.