Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c04
cântico VI
Tu tens um medo de
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
A poesia de Cecília Meireles revela concepções sobre o homem em seu aspecto existencial. Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu interlocutor a perceber, como inerente à condição humana,
a sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar.
o desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo.
o questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas.
a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente.
um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que aponta a sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar. O poema "Cântico VI" de Cecília Meireles aborda a superação do medo da morte através da aceitação da finitude e da renovação constante. O eu lírico convida o interlocutor a perceber que a morte não é um evento único, mas um processo diário de transformação, e que ao aceitar essa condição, o ser humano alcança a eternidade. Essa ideia está diretamente ligada à sublimação espiritual, que é a capacidade de transcender a materialidade e encontrar um sentido mais elevado para a existência, impulsionada pela emoção e pela reflexão sobre a vida.
A alternativa que menciona o desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo está incorreta porque o poema não expressa desesperança, mas sim uma visão positiva de renovação e superação. O eu lírico não se lamenta, mas exorta a uma mudança de perspectiva.
A opção que fala sobre questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas também não se sustenta, pois o poema não apresenta dúvida ou ceticismo, mas uma certeza sobre a condição humana e a possibilidade de transcendência.
A alternativa que sugere a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente é inadequada, pois o poema não trata de adolescência ou imaturidade, mas de um processo de amadurecimento e aceitação da vida e da morte.
Por fim, a opção que menciona um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas está equivocada, pois o poema justamente busca superar o medo, mostrando que a imprevisibilidade faz parte da vida e que é possível encontrar a eternidade ao aceitá-la.