Ciências Humanas e suas Tecnologias
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Pregunta de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5c06

Enunciado de la Pregunta
Ciências Humanas e suas Tecnologias
#Brasil Colonial
Medio

Próximo da Igreja dedicada a São Gonçalo nos deparamos com uma impressionante multidão que dançava ao som de suas violas. Tão logo viram o Vice-Rei, cercaram-no e o obrigaram a dançar e pular, exercício violento e pouco apropriado tanto para sua idade quanto posição. Tivemos nós mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não deixou de ser interessante ver numa igreja padres, mulheres, frades, cavalheiros e escravos a dançar e pular misturados, e a gritar a plenos pulmões “Viva São Gonçalo do Amarante”.

BARBINAIS, Le Gentil. Noveau Voyage autour du monde. Apud: TINHORÃO, J. R. As festas no Brasil Colonial. São Paulo: Ed. 34, 2000 (adaptado).

O viajante francês, ao descrever suas impressões sobre uma festa ocorrida em Salvador, em 1717, demonstra dificuldade em entendê-la, porque, como outras manifestações religiosas do período colonial, ela

A

seguia os preceitos advindos da hierarquia católica romana.

Correcto
B

demarcava a submissão do povo à autoridade constituída.

C

definia o pertencimento dos padres às camadas populares.

D

afirmava um sentido comunitário de partilha da devoção.

E

harmonizava as relações sociais entre escravos e senhores.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A resposta correta é a que afirma que a festa seguia os preceitos advindos da hierarquia católica romana. O relato do viajante francês descreve uma celebração religiosa popular que, embora parecesse caótica e desordenada aos seus olhos, estava inserida no contexto do catolicismo colonial português. A Igreja Católica, como instituição hierárquica, organizava e legitimava as festividades religiosas, mesmo aquelas que incorporavam elementos populares. A dança e a música na igreja, a participação de diferentes grupos sociais e a invocação a São Gonçalo do Amarante demonstram a apropriação popular de uma prática religiosa oficial, mas que não rompia com a hierarquia eclesiástica. As demais alternativas estão incorretas: a festa não demarcava submissão à autoridade constituída (o Vice-Rei foi obrigado a dançar, o que mostra inversão momentânea de hierarquia social); não definia pertencimento dos padres às camadas populares (os padres participavam, mas como representantes da Igreja); não afirmava um sentido comunitário de partilha da devoção (embora houvesse participação coletiva, o foco é a dificuldade de compreensão do viajante, que estranha a mistura de sagrado e profano); e não harmonizava relações sociais entre escravos e senhores (a dança misturava grupos, mas não alterava a estrutura escravista).