Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c08

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
Medio

Estrada
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.

BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967.

A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão de significados profundos a partir de elementos do cotidiano. No poema Estrada, o lirismo presente no contraste entre campo e cidade aponta para

A

o desejo do eu lírico de resgatar a movimentação dos centros urbanos, o que revela sua nostalgia com relação à cidade.

B

a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia da vida rural.

Correcto
C

a opção do eu lírico pelo espaço bucólico como possibilidade de meditação sobre a sua juventude.

D

a visão negativa da passagem do tempo, visto que esta gera insegurança.

E

a profunda sensação de medo gerada pela reflexão acerca da morte.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A resposta correta é a que aponta a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia da vida rural. No poema, o eu lírico contrasta a vida na cidade, onde "todas as pessoas se parecem", com a vida no campo, onde "cada criatura é única". A observação de elementos simples do cotidiano rural — como o enterro a pé, a carrocinha de leite e o murmúrio da água — leva-o a refletir sobre a transitoriedade da vida: "Que a vida passa! que a vida passa! / E que a mocidade vai acabar." Assim, o lirismo do poema reside na apreensão de significados profundos a partir do cotidiano, e o contraste entre campo e cidade serve para destacar a efemeridade da existência.

A alternativa que menciona o desejo de resgatar a movimentação dos centros urbanos está incorreta, pois o eu lírico afirma que a estrada onde moro "interessa mais que uma avenida urbana", valorizando o campo em detrimento da cidade, e não há nostalgia urbana.

A opção que fala em meditação sobre a juventude é parcialmente verdadeira, mas incompleta: o eu lírico medita sobre a passagem do tempo e o fim da mocidade, mas o foco principal é a efemeridade da vida, não apenas a juventude.

A visão negativa da passagem do tempo não é o tom central; o poema não expressa insegurança, mas uma reflexão serena sobre a transitoriedade.

A sensação de medo gerada pela reflexão acerca da morte também não é o foco; o poema aborda a passagem do tempo de forma contemplativa, não medrosa.