Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c0e
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
Predomina no texto a função da linguagem
fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A função poética da linguagem é caracterizada pela ênfase na própria mensagem, ou seja, na forma como o texto é construído, com uso de recursos estilísticos, sonoros e estruturais que despertam a atenção para a elaboração artística. No poema "Canção do vento e da minha vida", de Manuel Bandeira, observa-se a repetição de estruturas sintáticas ("O vento varria...") e a antítese entre a ação do vento (que varre) e o efeito na vida do eu lírico (que fica cheia). Esses elementos evidenciam o trabalho com a linguagem, priorizando a estética e a expressividade, o que configura a função poética.
A alternativa que aponta a função fática está incorreta, pois a função fática visa testar ou manter o canal de comunicação, como em saudações ou expressões de contato, o que não ocorre no poema.
A alternativa que aponta a função metalinguística está incorreta, pois a metalinguagem ocorre quando a linguagem explica a si mesma, como em definições ou comentários sobre o próprio código, o que não é o caso.
A alternativa que aponta a função conativa está incorreta, pois a função conativa busca influenciar o receptor, com uso de imperativos ou vocativos, ausentes no poema.
A alternativa que aponta a função referencial está incorreta, pois a função referencial foca no contexto, na informação objetiva sobre a realidade, enquanto o poema é ficcional e subjetivo, não apresentando fatos reais.