Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
medium

Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c10

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#modernismo
#poesia
#drummond
#processo criativo
#literatura brasileira
Medio

No poema Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escultor Michelângelo fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação:
(...)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(...)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14.

ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14.

Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:

A

a nostalgia do passado colonialista revisitado.

B

a preocupação com o engajamento político e social da literatura.

C

o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos.

Correcto
D

a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética.

E

a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

O fragmento do poema "Procura da poesia" de Carlos Drummond de Andrade enfatiza o trabalho minucioso com as palavras, comparando-o à escultura de Michelangelo. A expressão "Penetra surdamente no reino das palavras" e a ideia de que cada palavra "tem mil faces secretas sob a face neutra" destacam a busca por novos sentidos e a construção artesanal do poema. Isso se alinha ao tema modernista do trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos.

A alternativa que menciona a nostalgia do passado colonialista revisitado não se aplica, pois o poema não trata de nostalgia ou passado colonial. A preocupação com o engajamento político e social da literatura não é o foco do fragmento, que se concentra no processo criativo. A produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética poderia ser confundida, mas o poema não defende hermetismo; ao contrário, convida a "contemplar as palavras" e a trazer "a chave" para desvendar seus significados. A contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria não é abordada no fragmento, que trata da relação do poeta com a linguagem.