Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c12

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#literatura
#função da literatura
#metáfora
#enem
#interpretação textual
Medio

Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio da adolescência que teve influência significativa em sua carreira de escritor.
“ Lembro-me de que certa noite – eu teria uns quatorze anos, quando muito – encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam “carneado”. (...) Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode agüentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? (...)
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.”

VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta. Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.

Neste texto, por meio da metáfora da lâmpada que ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma das funções do escritor e, por extensão, da literatura,

A

criar a fantasia.

B

permitir o sonho.

C

denunciar o real.

Correcto
D

criar o belo.

E

fugir da náusea.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A metáfora da lâmpada, utilizada por Érico Veríssimo, representa a função do escritor de iluminar a realidade, ou seja, de trazer à tona as verdades e injustiças do mundo. No texto, ele afirma que o escritor deve "fazer luz sobre a realidade de seu mundo", evitando a escuridão que favorece "ladrões, assassinos e tiranos". Portanto, a função da literatura, segundo o autor, é denunciar o real, expor as mazelas sociais e políticas.

A alternativa que aponta "denunciar o real" está correta porque o texto enfatiza o papel do escritor em revelar a verdade, mesmo que dolorosa, como ele próprio fez ao segurar a lâmpada durante uma cirurgia.

As demais alternativas estão incorretas: "criar a fantasia" e "permitir o sonho" sugerem um escapismo que contradiz a ideia de enfrentar a realidade; "criar o belo" foca na estética, enquanto o texto prioriza a função ética e social; "fugir da náusea" é o oposto do que o autor descreve, pois ele permaneceu firme apesar do horror e da náusea.