Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c12

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#literatura brasileira
#realismo
#machado de assis
#romantismo
#análise de texto
Medio

Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson.

A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa:

A

... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas ...

Correcto
B

... era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça ...

C

Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, ...

D

Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos ...

E

... o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A alternativa que apresenta o trecho em que o autor "sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas" está correta porque explicita a crítica ao Romantismo. O narrador-personagem Brás Cubas ironiza a tendência romântica de idealizar os personagens e os cenários, omitindo imperfeições físicas (como "sardas e espinhas") para criar uma imagem perfeita e irreal. O Realismo machadiano, ao contrário, busca expor a realidade de forma crua e irônica.

As demais alternativas estão incorretas pelos seguintes motivos:

  • O trecho que descreve a personagem como "talvez a mais atrevida criatura da nossa raça" foca na caracterização psicológica e comportamental de Marcela, sem fazer alusão a estilos literários.

  • A passagem que a define como "bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno" exalta a beleza natural e a juventude da personagem, sem teor crítico à estética romântica.

  • A menção de que "naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos" é apenas uma contextualização temporal e cronológica da idade da personagem no início do envolvimento com Brás Cubas.

  • O fragmento sobre o "indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação" reflete uma visão filosófica e biológica da reprodução e da perpetuação da espécie (dialogando com o pessimismo e o determinismo científico da época), não se tratando de uma crítica direta ao Romantismo.