Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5bdd

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
Medio

Só entende os corações desse lugar quem mergulha nesse mar a perder de vista e recoberto de cana caiana, cana fita, cana roxa, cana-de-macaco, açúcar, melado, rapadura, aguardente, fumo, mandioca, quiabos, pimentas, moendas, frutas, fruta-pão, sobrados, senzalas, tachos, casa de purgar. Um reino dentro de outro, com tudo o que se tem direito: reis, rainhas, príncipes e princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros e escravos, muitos escravos. […] A corte do massapé, como qualquer outra na história da humanidade, fazia tudo para não deixar escapar nenhum mísero grão dos seus domínios para quem estivesse de fora do seu apertado círculo. Os nomes se repetiam de pai para filho, para sobrinho, para netos e bisnetos, de forma concêntrica e repetitiva, para que não pairasse nenhuma dúvida de que são todos da mesma parentela. As farinhas todas num mesmo saco brasonado.

CRUZ, E. A. Água de barrela. Rio de Janeiro: Malê, 2018.

Nesse fragmento, o narrador enumera o resultado do trabalho com a terra, o qual, no contexto em que aparece,

A

espelha a permanência dos privilégios de classe.

Correcto
B

oferece um panorama da população do campo.

C

mostra os benefícios da fartura na agricultura.

D

defende a importância da atividade coletiva.

E

valoriza o trabalho ao longo das gerações.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A resposta correta é a que afirma que o resultado do trabalho com a terra espelha a permanência dos privilégios de classe. O fragmento descreve uma sociedade hierarquizada, com reis, rainhas, príncipes, princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros e escravos, muitos escravos. A expressão "corte do massapé" e a repetição dos nomes de pai para filho indicam a manutenção de uma elite que controla a terra e os meios de produção, perpetuando privilégios. A ideia de "não deixar escapar nenhum mísero grão" e "as farinhas todas num mesmo saco brasonado" reforça a concentração de poder e riqueza.

A alternativa que oferece um panorama da população do campo está incorreta porque o texto não descreve a diversidade da população rural, mas sim uma estrutura de poder. A que mostra os benefícios da fartura na agricultura também está errada, pois o foco não é a abundância, mas a desigualdade. A que defende a importância da atividade coletiva não se sustenta, já que o trabalho é apresentado como algo que beneficia apenas a elite. Por fim, a que valoriza o trabalho ao longo das gerações ignora o caráter crítico do texto, que denuncia a repetição de privilégios hereditários.