Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5bdd

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Artes Visuais e Cultura Indígena
Medio

Origem, tradição e resistência Foi sentada em seu banco de quartzo que a avó do universo, moradora da Maloca do Céu, criou os homens, os animais, a terra e as águas. O banco foi entregue aos ancestrais dos atuais Tukano, que passaram a reproduzi-lo em madeira. O mito Tukano — povo do noroeste da Amazônia que ainda hoje fabrica os bancos em seu estilo tradicional — indica o lugar dos bancos entre os objetos sagrados, ao mesmo tempo parte do universo primitivo e fonte do poder de criação. A presença nos mitos de origem de alguns povos atesta a antiguidade da arte de talhar bancos: os primeiros registros do uso desses objetos entre ameríndios das terras baixas da América do Sul, do Caribe e da América Central datam de, pelo menos, 4 mil anos.

ASSIS, R.; MENDES JR., L. Bancos indígenas do Brasil. São Paulo: BEI Comunicação, 2013.
Fotografia de um banco indígena tradicional entalhado em uma única peça de madeira marrom polida, em formato zoomorfo representando um tamanduá estilizado. O animal possui focinho alongado voltado para a esquerda com olhos circulares delineados em branco e preto, orelhas pequenas esculpidas, dorso largo e plano que funciona como assento, e cauda cônica e comprida que se projeta para a direita. O corpo se apoia em duas bases inferiores largas e horizontais, conectadas por suportes verticais. Sobre o dorso e as laterais do banco, há desenhos e grafismos em tinta preta: pequenas pontuações e traços cobrem grande parte da superfície, enquanto uma faixa transversal decorativa na parte central apresenta padrões geométricos simétricos em formato de triângulos e linhas estilizadas.

KAMAYURÁ, Y. Tatu Kamayurá 1. Madeira, 61 × 24 × 20 cm. Xingu (MT), s.d.

Disponível em: www.colecaobei.com.br. Acesso em: 15 out. 2024.

Os textos I e ll demonstram, na confecção dos bancos, uma íntima relação de sacralidade entre o ser humano e a natureza, perceptível por meio da

A

representação realista de animais, mostrando o domínio do homem sobre a natureza.

B

manutenção da herança cultural, atribuindo nova função aos elementos da fauna.

C

anulação dos traços que permitem reconhecer o animal representado.

D

presença de grafismos na forma animal representada no banco.

Correcto
E

criação de figuras fantásticas baseadas em formas animais.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

1. Compreensão do Contexto Geral

A cultura material dos povos originários brasileiros transcende a dimensão puramente utilitária, constituindo uma manifestação direta de sua cosmovisão, religiosidade e memória ancestral. O Texto I relata a relevância dos bancos rituais indígenas e suas raízes mitológicas, como a narrativa cosmogônica dos Tukano, na qual o banco de madeira remete ao assento de quartzo primordial da criadora do universo. O Texto II apresenta a fotografia de um banco cerimonial zoomorfo talhado em madeira, cuja forma remete a um tamanduá estilizado, com focinho alongado, cauda comprida e apoio firme. No dorso e nas laterais da peça, observam-se pontilhados rítmicos e uma faixa central preenchida por padrões geométricos angulares característicos dos grafismos indígenas. Essa combinação entre a forma orgânica e a pintura ritual evidencia a relação sagrada e harmoniosa entre ser humano e natureza.

2. Justificativa da Alternativa Correta

A alternativa "presença de grafismos na forma animal representada no banco." está correta porque a sacralidade e a interconexão entre a humanidade e o mundo natural se manifestam visualmente na inscrição de grafismos geométricos sobre a silhueta zoomorfa entalhada. Na tradição artística indígena, o grafismo não é mero enfeite decorativo, mas uma linguagem simbólica, ritual e cosmológica codificada. Ao aplicar esses padrões gráficos manuais sobre o corpo de madeira do animal, o artista indígena integra a dimensão cultural/espiritual humana aos seres da natureza, consagrando essa mútua reverência e comunhão.

3. Análise dos Distratores (Alternativas Incorretas)

  • representação realista de animais, mostrando o domínio do homem sobre a natureza.: Incorreta. A forma do animal é estilizada e sintética, sem a pretensão de mímese ou realismo anatômico ocidental. Além disso, a cosmovisão indígena baseia-se na coexistência e no respeito mútuo, e não no ideário de domínio ou subjugação da natureza pelo ser humano.
  • manutenção da herança cultural, atribuindo nova função aos elementos da fauna.: Incorreta. Não se trata de dar uma "nova função" utilitária à fauna em si, mas sim de criar um artefato cerimonial e ritual ancestral que materializa e homenageia os seres do cosmos em sua função tradicional.
  • anulação dos traços que permitem reconhecer o animal representado.: Incorreta. A morfologia do tamanduá permanece claramente identificável por meio de traços distintivos evidentes, tais como o focinho afilado característico, as orelhas pontudas, a postura corporal e a cauda longa e cônica.
  • criação de figuras fantásticas baseadas em formas animais.: Incorreta. A obra retrata um animal real da fauna brasileira (um tamanduá) interpretado artisticamente segundo os cânones visuais da etnia produtora, não correspondendo a monstros, quimeras ou seres fantásticos/mitológicos fictícios.