Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5bef
É possível afirmar que muitas expressões idiomáticas transmitidas pela cultura regional possuem autores anônimos, no entanto, algumas delas surgiram em consequência de contextos históricos bem curiosos. “Aquele é um cabra da peste” é um bom exemplo dessas construções.
Para compreender essa expressão tão repetida no Nordeste brasileiro, faz-se necessário voltar o olhar para o século 16. “Cabra” remete à forma com que os navegadores portugueses chamavam os índios. Já “peste” estaria ligada à questão da superação e resistência, ou mesmo uma associação com o diabo. Assim, com o passar dos anos, passou-se a utilizar tal expressão para denominar qualquer indivíduo que se mostre corajoso, ou mesmo insolente, já que a expressão pode ter caráter positivo ou negativo. Aliás, quem já não ficou de “nhe-nhe-nhém” por aí? O termo, que normalmente tem significado de conversa interminável, monótona ou resmungo, tem origem no tupi-guarani e “nhém” significa “falar”.
A leitura do texto permite ao leitor entrar em contato com
registros do inventário do português brasileiro.
justificativas da variedade linguística do país.
influências da fala do nordestino no uso da língua.
explorações do falar de um grupo social específico.
representações da mudança linguística do português.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que menciona registros do inventário do português brasileiro, pois o texto apresenta duas expressões idiomáticas típicas do Nordeste (“cabra da peste” e “nhe-nhe-nhém”) e explica suas origens históricas e etimológicas, funcionando como exemplos documentados do léxico do português falado no Brasil. A alternativa que fala em justificativas da variedade linguística está incorreta porque o texto não busca justificar por que existem variedades, mas sim descrever a origem de expressões específicas. A opção sobre influências da fala do nordestino no uso da língua é inadequada, pois o texto não discute como a fala nordestina influencia outros falares, mas sim a origem de expressões regionais. A alternativa que menciona explorações do falar de um grupo social específico também não se aplica, já que o texto não explora o falar de um grupo, mas apresenta exemplos pontuais. Por fim, a opção sobre representações da mudança linguística do português é incorreta porque o texto não aborda mudanças linguísticas ao longo do tempo, mas sim a origem histórica de expressões que permanecem em uso.