Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5bef
A vida às vezes é como um jogo brincado na rua: estamos no último minuto de uma brincadeira bem quente e não sabemos que a qualquer momento pode chegar um mais velho a avisar que a brincadeira já acabou e está na hora de jantar. A vida afinal acontece muito de repente — nunca ninguém nos avisou que aquele era mesmo o último Carnaval da Vitória. O Carnaval também chegava sempre de repente. Nós, as crianças, vivíamos num tempo fora do tempo, sem nunca sabermos dos calendários de verdade. [...] O “dia da véspera do Carnaval”, como dizia a avó Nhé, era dia de confusão com roupas e pinturas a serem preparadas, sonhadas e inventadas. Mas quando acontecia era um dia rápido, porque os dias mágicos passam depressa deixando marcas fundas na nossa memória, que alguns chamam também de coração.
As significações afetivas engendradas no fragmento pressupõem o reconhecimento da
perspectiva infantil assumida pela voz narrativa.
suspensão da linearidade temporal da narração.
tentativa de materializar lembranças da infância.
incidência da memória sobre as imagens narradas.
alternância entre impressões subjetivas e relatos factuais.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que aponta a perspectiva infantil assumida pela voz narrativa. O fragmento é narrado por uma voz que se coloca como criança, utilizando expressões como "Nós, as crianças, vivíamos num tempo fora do tempo" e referindo-se à avó Nhé. Essa perspectiva infantil é essencial para construir as significações afetivas, pois a visão de mundo da criança, com sua percepção mágica e atemporal, é o que gera a emoção no texto.
A alternativa que menciona a suspensão da linearidade temporal está incorreta porque, embora o texto fale em "tempo fora do tempo", a narrativa segue uma ordem cronológica linear (do presente para o passado, mas sem quebras temporais abruptas). A tentativa de materializar lembranças da infância é um tema presente, mas não é o que as significações afetivas pressupõem; elas pressupõem a perspectiva que permite essas lembranças. A incidência da memória sobre as imagens narradas também é um elemento do texto, mas a memória é mediada pela voz infantil, e não o pressuposto principal. Por fim, a alternância entre impressões subjetivas e relatos factuais não ocorre, pois o texto é predominantemente subjetivo e não apresenta relatos factuais objetivos.